*(Ao extraordinário Miguel Falabella, que deu asas a imaginação e voou… voou como poucos!)
Ontem foi o “Dia dos Pais”. Além de receber o beijo e o abraço do meu querido filho, eu aproveitei para ligar para o meu centenário pai. No entanto, ele estava triste, bastante agastado com a artrose nos dedos da mão direita. E isso tem dificultado muito o processo de digitação dos seus textos no computador. Eu sugeri, inclusive, que ele ditasse os textos no editor e, assim, só fizesse os pequenos acertos pelo teclado. Fiquei até de enviar um ‘passo a passo’ para ele fazer uso do recurso.
Depois, fomos visitar o meu sogro e minha sogra na casa deles e almoçarmos aquele churrasco que só ele sabe fazer. É sempre prazeroso o almoço familiar na casa deles. Temos a oportunidade de renovar os laços de afeto e de estima. Além disso, hoje em dia, eles representam a minha família.
Então, após o banquete das ‘pecadoras’ sobremesas, eu fui para a sala de TV e pluguei o “pendrive” na televisão. A ideia era assistir ao seriado “Pé na Cova”, do criativo Miguel Falabella. Aleatoriamente, eu escolhi o episódio “A Surpresa do Inesperado”. Daí, minha gente, eu fui bombardeado pelo talento daqueles monstros sagrados. Céus! Amparados em um texto criativo e bem escrito, o elenco consegue nos seduzir inteiramente. Aí, veio a primeira bomba do personagem Juscelino: “É preciso mudar constantemente para se permanecer fiel a si mesmo!”
Eu quase caí da poltrona. E nem havia me recuperado, quando ele soltou outra: “Aliás, a única constância do universo é a mudança!” Foi quando eu dei uma pausa na TV e me levantei para beber água, algo providencial. Afinal, eu intuía que aquele episódio iria mexer com as emoções… Com todas elas!
Ainda atordoado, ao retornar, eu me deitei na poltrona e me estiquei todo, buscando o relaxamento total. Contudo, Ruço, nesse exato instante, indagava com sofreguidão para Darlene: “O que que eu vou fazer da minha vida, Darlene?” E de bate-pronto, Darlene declarou: “Eu sei que você está no fundo do poço. Mas, pensa que daí tudo passa. O ‘vento do inesperado’ assoprou. E derrubou tudo que tinha de derrubar. E agora, Ruço, a gente vai construir tudo outra vez!”
“Ué, Ruço, você vai continuar de pé, como sempre esteve… O que que é isso? Nós somos a sua família e vamos lhe ajudar. Se o ‘vento do inesperado’ derrubou a nossa casa, a gente reconstrói todas as paredes de novo!”
Nesse exato momento, a porta do quarto se abriu e meu sobrinho, Pedro, ficou me olhando longamente. Curioso, eu perguntei: “E aí, Pedro, como anda a vida?” Pedro, então, entrou na sala e deitando-se no sofá respondeu: “Tio, eu estou numa sinuca de bico. Todos acham que pelo fato de meu pai ser um renomado cozinheiro, eu tenho que seguir os passos dele, entende?
Eu franzi a testa e me lembrei da frase de Darlene, quando dizia: “Eu mudei. Desde que eu resolvi não perder mais meu tempo na escuridão. O tempo e o mundo mudam, e eu vou mudando junto.” Lembrei também da sentença proferida por Juscelino: “São as raízes do taoismo, Darlene. Mudar sem alterar a rota. No fundo, no fundo, o foco não está no caminho. Está no caminhar, entendeu?”
Por fim, ao perceber o olhar perplexo de Pedro, eu reproduzi a fala final de Juscelino: “As famílias precisam respirar, aumentar seus horizontes para continuar famílias. Mudar para continuar a ideia original, entende?”
Só sei que Pedro me abraçou e, emocionado, agradeceu a força recebida. Acredito até que tenha saído da sala mais fortalecido e confiante. Por outro lado, enquanto eu desplugava o “pendrive” da TV, relembrava os diálogos do episódio. E nos meus pensamentos, eu agradecia a ajuda ‘involuntária’ de Miguel Falabella. Valeu, parceiro. Valeu mesmo!
