Memórias: o melhor da vida é viver!

Em um domingo ensolarado como esse que anuncia o início da primavera, convenhamos, tinha tudo para ser de muita paz e harmonia. No entanto, no domingo que vem nós teremos uma acirrada eleição, onde os ânimos estão à flor da pele…

Não pretendo discutir aqui sobre política, se é esse ou aquele o candidato “ideal” para o nosso país e nosso estado. É o tal negócio: cada um que faça a melhor escolha, de acordo com seus critérios e suas convicções!

De fato, nesses tempos bicudos que enfrentamos, eu prefiro muito mais dedicar os meus pensamentos em questões mais amenas. Por isso, então, eu tirei a manhã de hoje para “navegar” na internet e garimpar preciosidades.

Então, que me perdoem os aficionados pela política mas, hoje, eu quero celebrar a grande capacidade que o homem tem de produzir pérolas. Daí, minha gente, eu separei quatro delas para presentear aos amigos e leitores do “blog”. São elas:

  • Fats Waller &  Ada  Brown, em  “That Aint’t Right – Stormy Weather”, de 1943, um raro presente para o nosso coração.

 

 

  • Billie Holiday & Louis Armstrong, em “Do you know what it means to miss, New Orleans”, de 1947, outra preciosidade que faz parte do filme musical, intitulado “New Orleans”.

 

 

  • E para não pairar nenhuma dúvida sobre minha “terríveis” intenções, eu apelo para o inebriante tango, dançado por Al Pacino e a encantadora Gabrielle Anwar no filme “Perfume de mulher”.

 

 

  • Para finalizar, apresento aos amigos mais um episódio da série “a vida sempre surpreende”, quando permitimos…  Em um Shopping Center, em Budapeste, um grupo húngaro de dança surpreende o público com uma exibição contagiante!

 

 

 

Memórias: os “indesejáveis” inquilinos!

Ah, esse “mundo mundo vasto mundo” insiste em não se ajuizar. Não demora muito e ele logo apronta alguma. Basta assistirmos aos inúmeros episódios de ataques e dominações pelo mundo afora e concluiremos que a raça humana parece não ter dado certo. Desafortunadamente, meus amigos! E como isso dói…

Podem os micos-leões-dourados celebrarem sua curta e inocente passagem por aqui, pois entrarão em extinção, queiram ou não. Podem as majestosas e indefesas baleias bufarem com agonia a sua prematura despedida do planeta, à medida que nunca foram verdadeiramente aceitas pelos homens, os algozes “donos” da Terra. Podem os refugiados de todos os cantos suplicarem pela fraterna acolhida, pois o mundo “civilizado” haverá de lhes virar as costas, movidos por indiferença e reconhecida soberba…

Ah, meu Senhor, quanta sandice! Quanto desperdício de vidas! Quanto tempo mais estaremos aqui testemunhando tais absurdos?!

E nem mesmo a poesia de Drummond é capaz de nos confortar:

…”Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.”

Memórias: a falta que ela nos faz!

Minha mãe, hoje você faria 91 anos de idade. Por certo, seria uma dessas belas “senhoras” que sabem envelhecer com sabedoria, amor e arte. Pudera! Arte nunca lhe faltou. E você deixou um legado maravilhoso, mãe, perpetuando em cada um de nós esse brilho nos olhos e a generosidade que parecia não ter fim…
Oxalá eu tenha adquirido um pouco dessa sua capacidade de ver o mundo com o coração. Isso seria sinal de que eu teria herdado o seu melhor tesouro.
Ainda que eu não tenha me conformado, por inteiro, dessa sua incompreensível partida, ainda assim, eu quero lhe agradecer pelo cuidado com que continua a nos dedicar, zelando por nós.
Ah, devo dizer: seu neto cresceu e está se tornando uma pessoa muito interessante, da qual você, sempre puxa-saco, deve estar se orgulhando. Ele, eu e a Zê sentimos muitas saudades de você. Nosso beijo e o nosso cheirinho…

Memórias: Dona Efigênia e o destino do nosso futebol.

É o tal negócio: uma coisa sempre depende de outra. Talvez, por isso, a primeira coisa a fazer era tirar o famigerado “par ou ímpar”, que eu nunca tinha a sorte de ganhar. Paciência, fazer o quê? Tem sempre gente sortuda nesse mundo, meus amigos, pois ganham tudo: rifas, sorteios nas quermesses e até acertam a quina com uma facilidade que me irrita… Como conseguem isso?!

Bem… Certo mesmo é que era muito importante ganhar o bendito par ou ímpar, já que assim podíamos escolher de cara o “Chiquinho”, o craque da rua e do nosso bairro. Desse modo, nós começávamos com meio caminho andado. Afinal, Chiquinho só faltava fazer chover naquela ladeira da Zamenhoff, no velho e bom Estácio. Já os meninos do outro time, irritados com o talento dele, procuravam derrubá-lo de uma forma ou de outra. Contudo, Chiquinho aguentava tudo calado, sem reclamar do jogo desleal. Respondia na bola, isso sim. Craque é craque!

Quanto a mim, confesso, eu era apenas um coadjuvante sofrível, mas que se esforçava para não comprometer. Só não gostava de ir para o gol, pelo sistema de rodízio, uma vez que eu não era muito “corajoso”. Aliás, devo reconhecer, encarar as “bombas” que vinham dos adversários não é para qualquer um…

No entanto, a minha “carreira de jogador” não durou muito. Porquanto havia na rua um tal de “Luisão-maluco” que me intimidava em cada partida. Céus, bastava eu dar um drible bem dado e já vinha a “cacetada” por trás. Nem precisava me virar para saber que era a praga do Luisão-maluco. Ele até anunciava em voz alta: “se tentar fazer gracinha aqui, meu chapa, vai levar porrada!” E o pior de tudo é que ele tinha meio metro a mais do que eu, além dos quinze quilos a mais de músculos. Aí, já viram, né?!
Foi quando eu resolvi que o melhor a fazer era jogar “golzinho” com bola de meia. Era algo que exigia habilidade, concentração e não envolvia time algum, uma vez que era um esporte individual. Apenas um de cada lado da rua. E não é que eu me especializei no jogo e me tornei bom jogador?!

O diabo era quando eu estava do outro lado da rua e tinha que arremessar para o lado do prédio. De vez em quando, a gente errava a mira e acertava a vidraça do segundo andar. Aí, era um salve-se quem puder! Eu corria o mais rápido que podia para não ser pego pela D. Efigênia… Isso porque, além do “esculacho” pelo prejuízo da vidraça e o castigo que levaríamos, o mais doloroso era ter que frequentar as aulas de violino que a D. Efigênia impunha. Isto porque, após várias vidraças quebradas, foi a forma que ela encontrou para que demonstrássemos o “arrependimento” pelo delito cometido. Ou seja: tínhamos que assistir as aulas de violino durante mais de um mês. E convenhamos, minha gente, naquela época não havia o STF para nos libertar!

 

Memórias: Ênio e o mundo cá fora.

Bem sei que os valores sofrem bruscas transformações. Muitas vezes, eles ficam por conta de certos modismos. Paciência. Outras vezes, no entanto, o que dita o ritmo é apenas o senso de oportunidade. Mas, calma, aí, minha gente… Eu explico.

Ênio era um rapaz especial, dotado de rara inteligência e senso de observação. Em nossas brincadeiras juvenis, lá pelos idos de 1965, Ênio sempre tinha uma solução inusitada, invariavelmente incomum. E algumas vezes, é verdade, isso causava irritação na gente, pois morríamos de inveja de sua criatividade.

Aliás, nesse particular, se pensarmos bem, veremos que o mundo continua o mesmo. Ou seja: alguns poucos “criam” e a grande maioria da galera apenas “copia”. É duro isso, minha gente. Injusto, até. Mas, fazer o quê? A mediocridade sempre será maioria em qualquer peleja que se tenha pela frente…

Lembro bem que um dia nós estávamos querendo abrir um “clubinho” no saguão de entrada do nosso prédio e não conseguíamos adesão suficiente dos proprietários dos apartamentos do edifício. Fazíamos o nosso “piquete” junto aos moradores, no “hall” que dava acesso aos elevadores, mas os resultados eram pífios…

Até que o Ênio chegou e, ao ver o nosso desespero, argumentou: não são os pais que vão definir os rumos da votação, pessoal. São os filhos, nossos colegas! Foi quando ele se sentou na cisterna da garagem e começou a fazer desenhos em várias folhas. Quando terminou, ele pediu que afixássemos as folhas no elevador, no “hall” de entrada, na lixeira e em todos os lugares de grande circulação. Eram desenhos de crianças brincando. Crianças nitidamente com semblantes felizes. Moral da história: no dia marcado para a votação, houve alto comparecimento dos pais e fortíssima adesão à nossa reivindicação…  Ganhamos de lavada, com 78% dos votos favoráveis. Agora, meus amigos, nós tínhamos um espaço só nosso: com mesa de totó, pingue-pongue e futebol de botão. Ênio se tornara o nosso herói!

O mundo, então, girou mais um bocado. E o tempo passou mais ligeiro que os nossos sonhos. Começamos a trilhar outros caminhos mais difíceis e complicados. Para mim, havia ainda um problema a enfrentar: a súbita ausência de Ênio, que resolver nos deixar. Com isso, a minha capacidade de ponderar junto ao mundo sofreu um forte abalo, pois não havia mais os maravilhosos e sensatos “argumentos” de Ênio a me posicionar com maior acerto… Pois é. A gente precisa aprender a crescer, de um jeito ou de outro. E foi Guimarães Rosa que nos disse: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem…”

( Canelau, aos 11 anos de idade)

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Memórias: as armadilhas da vida!

Eu devo dizer que tenho pensado bastante nesse tema nos últimos tempos. É que, vira e mexe, a gente se depara com situações conflitantes ou delicadas. E se pensarmos bem, meus amigos, podemos perceber que nenhum de nós está livre de tais comportamentos.

Sim! Chega a impressionar o número de vezes que plantamos “minas” pela estrada que trilhamos. Sem nos darmos conta de que haveremos de percorrer aquele mesmo caminho pouco tempo depois. Ou seja: somos potencialmente vítimas de nossas próprias “armadilhas”. Pois é…  paciência! Fazer o quê?!

No entanto, ainda que esse processo seja impiedoso, uma vez que é “autoimune”, devemos reconhecer o “talento” que o homem tem em promover boicotes à sua ascensão e ao seu progresso afetivo ou material. Convenhamos: para muitos de nós, essa tendência parece não ter fim. Porquanto reiteradas vezes praticamos gestos e ações autodestrutivas e nem mesmo a lembrança da última ação repetida é capaz de nos dar a devida “percepção”.

É fácil constatar tais tendências em um número significativo de amigos ou colegas. E, com poucas variações nos processos, o observador atento pode até mesmo “antever” os passos desastrosos que efetuamos sem a devida percepção do momento vivido. Ah, minha gente… Isso dói. Dói muito! E o pior de tudo é que, ironicamente, iremos repetir exaustivamente as equivocadas posturas… Como se fosse irrefreável o desejo de chafurdar na lama!

O que eu posso dizer é que comigo não foi diferente. Como tantas outras criaturas, eu também plantei em mim inúmeras “minas”, sem me dar conta de que elas explodiriam a qualquer momento. Como, de fato, assim ocorreu! Por isso, sofri bastante. Sangrei pra valer. Até que um dia eu aceitei que precisava de ajuda. Céus… Talvez fosse o primeiro sinal de minha possível recuperação. Afinal, em algum lugar dentro de mim havia a crença de que eu podia me “restituir” e valia a pena o “risco”…

Foram necessários sete anos de ajuda terapêutica em busca das minhas extraviadas “verdades”. É uma etapa difícil, sem dúvida, pois além de tudo nós nos deparamos com os hábitos e vícios adquiridos no percurso. Até que se possa tornar-se livre das resistências ao tratamento, muita água há de passar por debaixo dessa ponte. Ou melhor, dessa vida!

Contudo, por certo, não é preciso considerar o processo terapêutico como o “outro lado do arco-íris”. Mas a verdade é que ele possibilita a gente enxergar o mundo real de modo mais confortável às nossas emoções. Com sorte, haveremos de reconhecer as “minas” que estão ao nosso redor e, com isso, aumentar a chance de não repetir os mesmos enganos de outrora…

O resto, creio, fica por conta do destino de cada um. Posso, ao menos, desejar muita sorte, determinação e um universo de possibilidades novas aos amigos que permitirem essa chance…

Que tenhamos dias melhores!

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CD: o suingue arrebatador de “Mighty Sam McClain”.

Henilton Menezes é meu primo, lá do querido e velho Ceará. É gente muita boa ou como dizem por aquelas bandas: um tremendo “cabra da peste”. Desses que se não fossem parentes, nós adotaríamos de qualquer jeito. Lembro-me de que não o conhecia pessoalmente quando recebi uma ligação dele, no Rio de Janeiro. Estava hospedado no antigo Hotel Nacional, palco dos Festivais de Jazz, onde nossa presença era garantida. Dali, então, ele me convidou para um chope, com direito a um gostoso papo sobre o jazz. Pois não é que ele me escreve agora, declarando-se meu leitor. Bem… não foi só por isso, é verdade… De fato, ele escreveu para me “esculhambar”. Com seu inconfundível senso de humor cearense, disse: “Pô, vê se escreve sobre gente nova, seu baitola! Não existe só essa velharia, feito você, no nosso jazz!”

Esquecendo os demais palavrões que disse, que cearense é bicho desbocado mesmo, eu sou obrigado a concordar com ele. Portanto, desculpe-me, Henilton, não foi por querer. Aliás, cá entre nós: estou tão velho assim, com 67 anos? É verdade que as moças nas ruas há tempos me chamam de “tio”. Paciência!

Muito bem, primo. Então, está aí o que você pediu. Só falta você não conhecer o “Mighty Sam McClain”, um negão com uma voz e um suingue de fazer sorrir a galera do velório! “Give it up to love” é o título do disco, gravado em 20 bits, que garante uma qualidade impecável. Agora, se você ouvir “Got to have your love” e não se emocionar, primo, é sinal que o velório acima deveria ser o seu! E já que estamos quites, aproveite e mande queijo de coalho, rapadura e muita tapioca…

 

Memórias: vida e arte de mãos dadas!

Eu acabara de acordar da soneca vespertina, quando ouvi a pergunta de minha esposa:

– Carlos, não quer assistir ao novo filme do Selton Mello?

Eu disse que sim e fui escovar os dentes e passar uma água no rosto amarrotado. Como fazia um friozinho incômodo, antes passei no escritório e peguei uma manta para nos aquecer no sofá.

O filme nem bem começara e logo nas primeiras cenas eu identifiquei que aquele seria um “belo filme”. Pois é, meus amigos: com o tempo a gente aprende a identificar um filme interessante, peculiar. Seja pelo cuidado com a fotografia ou com o impecável texto ou até com as cenas que acontecem sem pressa alguma de contar a história. Sim, tudo aquilo já apontava para um grande filme.

Ao fundo, os personagens iam se apresentando e conduzindo os seus papéis com suavidade e frescor. Ao mesmo tempo, o cantor se esforçava em declarar: “Se você pensa que o meu coração é de papel / Não vá pensado pois não é. / Ele é igualzinho ao seu / E sofre como eu / Porque fazer chorar assim a quem lhe ama?”

“Acho que o tempo não existe… E as pessoas envelhecem quando precisam envelhecer!”, dizia a jovem amiga, talvez sem compreender a extensão desse drama.

O personagem principal, já envolto em suas incontáveis dúvidas, tentava extrair da mãe algum sentido, alguma resposta. “Onde é que ele está, mãe? Por que ele foi embora? Ele tem saudades da gente?”

Contudo, as respostas não vinham. E ele teria que reter as perguntas no coração.

Na parede do quarto, um antigo relógio insistia em permanecer contando um tempo que não fazia mais sentido. “Meu querido pai, essa é uma carta de despedida. Talvez, nunca chegue em suas mãos… Nenhuma ausência é tão cara como a tua. Nas costas da memória, seguirei virando as suas lembranças… E ali, no meu sonho, talvez esteja você. Ali, talvez esteja o meu sonho roubado. Por que foi embora? Por que sem explicações?”

“O tempo passado embaralha o meu tempo presente!”, dizia o jovem rapaz. E logo a seguir, ele mesmo sentenciava: “Eu preciso encontrar o meu tempo futuro…”

Então, é isso, meus amigos… Não posso contar mais nada, pois retiraria dos leitores o prazer de assistir ao filme. E, convenhamos: ele vale a pena ser assistido!

Confesso a vocês que muitos diálogos do filme me bateram fundo e imediatamente me transportaram nas memórias…

É que eu acabei de chegar de uma bela viagem ao Rio de Janeiro, cidade que me acolheu dos cinco aos quarenta e sete anos de idade. Ao rever os lugares por onde andei e por onde vivi experiências marcantes, guardei a impressão de que muitas coisas ficaram perdidas no tempo, em compasso de espera por algo que nem sei dizer. Ficaram ao meu redor, resíduos de lembranças, de sonhos e imaginações. Como se muitas situações estivessem aguardando o meu “toque” para terem, enfim, o destino que lhes cabem.

“Você sempre me disse que as coisas mais importantes do mundo são os olhos e os pés. Os olhos para ver o mundo e os pés para ir ao encontro do mundo!”, reafirmou o personagem, em meio ao turbilhão de dúvidas e esperanças que vivia.

“E é isso que farei, meu pai. É hora de encontrar o mundo!”, reconheceu o personagem, sentindo-se vitoriosamente desimpedido.

O que sei dizer é que terminado o filme, minha gente, eu chorei bastante. Primeiro pela belíssima história, contada com profunda sensibilidade. Depois, porque me dei conta de que essa história, de algum modo, também me pertencia. A única diferença, talvez, é que eu não disse tudo isso ao meu pai.

Portanto, faço agora, após ter completado os meus 67 anos: “Pai, saiba que eu ainda estou pelejando… Com sorte, quem sabe, eu possa ainda lhe dizer um dia: finalmente, eu encontrei os meus caminhos. Obrigado por tudo!”

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Disco: CD “Swing  brasileiro”, com Jorginho do Trompete.

Eu mal acabara de estacionar o carro e ainda estava na entrada do bar. Foi quando o amigo Cássio Moura, guitarrista de primeira grandeza, sem perder tempo, foi logo me avisando: “Carlos, preste toda a atenção no “pretinho” do trompete. Amanhã, lá no shopping, você me dirá o que achou. Certo?!” Eu respondi sim, enquanto procurava um bom lugar para me sentar e apreciar mais uma “jam session” do Quarteto. Ao microfone, Cássio anunciava o convidado especial daquela noite: Jorginho do Trompete!

No entanto, no que me diz respeito, o anúncio fora equivocado, uma vez que pelo corpo abastado do trompetista, ele estava mais para “Jorjão” ou coisa assim. Quanto ao sorriso largo, céus!, eu até pensei que era filho de Louis Armstrong ou ele “reencarnado”! Na dúvida, convenhamos, o melhor a fazer era pedir ao garçom para trazer o balde com cervejas. Muitas. E o mais rápido possível, já que a noite prometia!

Então, o tal do Jorginho, que eu desconfio que é filho do Louis Armstrong, começou a soltar o verbo. Ou melhor: soltar o som! Sempre sonoro, melodioso. Até que chegou a vez de “Conceição da Barra”. Meu Deus, que belíssima composição. Puro lirismo, isso sim, arremessado do trompete daquele “pretinho”. E ele, virtuoso e compenetrado, passeava pelo salão do bar cumprimentando cada espectador com um par de olhos arregalados. Aí, sem nenhuma cerimônia, eu acabei abraçando o músico e beijando sua enorme bochecha. Afinal de contas, as cervejas já circulavam na corrente das emoções…

Do outro lado do bar, Cássio me observava e, também com o olhar exultante, confirmava a sua sentença: “eu não disse que o “pretinho” era danado de bom?!”

https://www.youtube.com/watch?v=Hp5K6-bnoyc

Jorginho do Trompete