Reflexões de um Dia Comum

Há dias em que o silêncio fala mais alto que qualquer palavra. Hoje, 5 de fevereiro de 2026, acordei com essa sensação. O tempo, esse velho conhecido, insiste em nos pregar peças. Lembro-me de um poema de Drummond, "Mundo mundo vasto mundo", e de como as palavras conseguem atravessar décadas sem perder o viço.

Pela manhã, coloquei para tocar um velho disco de Bill Evans. As notas do piano preencheram a sala e, por um instante, o mundo lá fora pareceu ter parado. É curioso como a música tem o poder de nos transportar para outros lugares, outros tempos. Fez-me lembrar dos meus tempos de juventude no Rio de Janeiro, das conversas intermináveis sobre cinema e jazz na Lapa, dos amigos que a vida trouxe e levou.

O que fica, no final das contas, são esses fragmentos de memória. Uma melodia, um cheiro, um sorriso. A vida é feita de pequenas eternidades. Hoje, optei por escrever não sobre um grande evento, mas sobre esse instante de quietude. Afinal, é na pausa que muitas vezes encontramos o que realmente importa.

Lembrei-me de uma crônica do Fernando Sabino, onde ele fala sobre o óbvio e o necessário. É disso que preciso hoje: do óbvio, do simples, do que está diante dos olhos e muitas vezes ignoramos.

Que a semana que se inicia traga a todos a coragem de Riobaldo e a sensibilidade de uma cronista como Cecília Meireles. Um abraço a todos os que por aqui passam.

(Texto escrito ao som de "Waltz for Debby").