Ah, meus amigos, março de 2025 chegou ao fim, e cá estou para reunir as crônicas que escrevi ao longo deste mês. Foram dias de memórias vívidas, de reflexões sobre o tempo e a violência, e de encontros inesperados com a arte. Espero que gostem de revisitar estes textos comigo.

COMISSÃO DE FRENTE

Naquela sexta-feira de agosto de 1973, a noite na quadra da Império Serrano prometia ser inesquecível. Eu, um jovem professor de química, me arrumei feito príncipe para me encontrar com a "tentação loura" da turma da noite. Entre olhares e sorrisos, o samba tomou conta. Mas o que era para ser uma noite de glória terminou com um soco, dois dentes arrancados e uma corrida ao pronto-socorro. Uma história de paixão, samba e violência que mudou a minha relação com o carnaval.

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A HERANÇA DO ‘DESCONTENTAMENTO’

É certo que as nossas emoções são imprevisíveis, e com o tempo vamos adquirindo mais cautela. Mas o que a vida quer da gente é coragem, como bem disse Riobaldo. Neste texto, compartilho a emoção que senti ao ver a exposição de fotografia "As crianças da minha Sé", do mestre Bruno Neves, na Estação de São Bento, no Porto. Aquelas imagens de crianças brincando nas ruas, apesar da pobreza, foram capazes de retirar a mordaça que o tempo colocou em mim.

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UMA ESTRANHA FOGUEIRA

Era um ensolarado domingo, 29 de março de 1964. Eu tinha pouco mais de doze anos e ajudei o seu Amaral a levar dezenas de livros para a garagem do prédio. A fogueira que se seguiu consumiu obras inteiras, mas uma capa de Maiakóvski restou parcialmente inteira. "A nuvem de Calças" me apresentou à poesia de uma forma brutal e inesquecível. Nem toda fogueira é motivo de comemoração, e aquilo que é queimado nunca mais se recupera.

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TEMPOS DIFÍCEIS…

Ao longo da vida, algumas vezes me perguntei se nasci no tempo e local corretos. Ultimamente, tenho visto tantas coisas ruins que minam as emoções. Foi então que a querida Fátima Guedes, com sua obra-prima musicada por Elis Regina, me serviu de expiação. "Onze tiros e não sei porque tantos / Esses tempos não tão pra ninharia". Um clamor contra a violência urbana e a banalização da morte, que vai do asfalto do Rio de Janeiro aos confins do mundo.

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