Memórias: O Sabor do Tempo
Nesta manhã de 8 de dezembro, acordei com uma sensação estranha. Como se o tempo, esse velho conhecido meu, tivesse resolvido fazer uma visita inesperada. Botei a chaleira no fogo e, enquanto o café não ficava pronto, pus para tocar um velho disco de Chet Baker. "My Funny Valentine". Ah, meus amigos, aquela melodia pareceu conversar diretamente com a minha alma. Não consigo explicar direito, mas a música tem desses poderes. Ela nos transporta, nos cura, nos faz reviver emoções que julgávamos adormecidas.
Lembrei do meu tempo de juventude, das noites no Estácio, dos sonhos que ainda estavam por realizar. Cada nota da trompete de Chet era um fio que tecia uma tapeçaria de memórias.
Depois, pensei no futuro. No Gabriel, que está construindo a sua própria história. No João Pedro, com seus oito anos de idade e o mundo inteiro pela frente. O que será que eles vão lembrar de mim? Que músicas vão tocar nas suas lembranças?
O café ficou pronto. A casa estava em silêncio, a não ser pela música. Por um instante, senti uma paz imensa. Uma gratidão pelas coisas simples. Pelo som do jazz, pelo cheiro do café, pela certeza de que, apesar de tudo, o tempo nos dá o dom de saborear a vida.
Um grande abraço a todos e boa diversão!