Janeiro de 2023 chegou com aquele calor que só a Ilha de Santa Catarina sabe oferecer. Um daqueles verões que pedem calma, que convidam à pausa. Eu passava as manhãs cedo na varanda, antes que o sol ficasse forte demais. O café era o companheiro de sempre, e o caderno de anotações, a testemunha das primeiras ideias do dia.
O ano começava, e com ele a rotina de escrever. As crônicas iam surgindo aos poucos, puxadas por alguma lembrança que teimava em não ficar quieta ou por um som que escapava do rádio. Lembro de ter retomado a leitura de alguns velhos poetas, o que me rendeu boas horas de reflexão sobre o tempo e a memória. O verão em Florianópolis tem dessas coisas: o movimento da cidade muda, as praias ficam mais cheias, mas a nossa casa permanece um refúgio. Ali, entre um mergulho no mar e outro, as palavras foram encontrando o seu lugar.
Janeiro foi um mês de transição. Deixávamos para trás o ano que passou e abríamos espaço para o novo. Os projetos para o blog iam sendo ajustados. A ideia era manter a constância, publicar sem pressa, mas sem pausa. Afinal, a literatura é uma velha conhecida que não gosta de esperar. Numa tarde especialmente quente, a música preencheu a casa. Foi o suficiente para despertar uma crônica sobre a beleza do improviso, sobre como a vida, assim como o jazz, pede um pouco de invenção a cada dia. São esses pequenos acontecimentos que, no fim, acabam rendendo as melhores histórias.
Ao final, a sensação era a de que o mês havia valido a pena. As crônicas publicadas encontraram eco nos leitores, e a troca de comentários trazia um calor diferente, um calor de afeto. Que importa o calor do verão se o coração está aquecido pela partilha? Janeiro de 2023 foi um bom mês. Um mês de reencontros, de leituras e de fé no que estava por vir. Como sempre digo, a vida é feita desses pequenos grandes momentos. E escrever sobre eles é a minha maneira de torná-los eternos dentro de mim.