Disco: "The Phenomenal Dukes of Dixieland", com Louis Armstrong.

Tudo bem, meus amigos, é verdade que eu ando "saudosista" por demais… Alguns dirão que é por conta da idade, que beira os 67. Sim, pode até ser. Mas o fato é que eu não posso ouvir um disco antigo e logo, logo começam as lembranças. Às vezes, reconheço, é por causa de algum aspecto particular e especial. Ou por interpretação marcante. Mas, no caso desse disco, eu confesso: a "culpa" foi do meu filho Gabriel. Deixe-me explicar. É que eu estava lendo um magnífico artigo sobre o filme canadense, "As invasões bárbaras", de Dennys Arcand, e me lembrei do Gabriel. É que já fazia mais de meia hora que ele estava na sala de música, muito quietinho por sinal. Convenhamos, para uma criança de três anos (na época), bem "ativa", isso é o mesmo que uma década para nós adultos. Pois bem, fui ao encontro dele e lá estava o Gabriel fuçando os meus discos. Quando cheguei, ele olhava fascinado para a capa desse disco. Ao perceber a minha presença, assustado, virou-se e disse: "olha, papai, eu vou tocar essa música para você. E você vai ficar bem feliz!"

É claro que perdi a coragem de adverti-lo pela bagunça que fazia. Apenas coloquei o CD no aparelho e abracei-me a ele. Ao ouvir as canções, aí, sim, eu pude confirmar a felicidade que o Gabriel já previra… Coisa linda!

https://www.youtube.com/watch?v=2MYWw9TkwGA

dukes

Sobre o escritor

Carlos Holbein

Carlos Holbein Antunes de Menezes é, segundo ele mesmo, "um professor de química por formação ou sina e escritor por vocação ou insistência".

Nascido no Ceará, foi morar no Rio de Janeiro quando tinha apenas cinco anos. Formou-se em Química, em 1976, onde teve início a carreira do magistério.

Após a aposentadoria do giz e do quadro-negro, Carlos Holbein passou a dedicar o seu tempo entre os projetos pedagógicos da Secretaria de Educação de Santa Catarina e a literatura, que junto com o cinema e o jazz formam a fonte de maior deleite.

Sobrinho do premiado escritor, Holdemar Menezes, com quem teve a sorte de conviver desde a adolescência, Carlos parece ter herdado do tio não somente a vocação literária, mas, também, o estilo marcante que seduz o leitor.

Em março de 2000, começou a escrever artigos sobre cinema e jazz para revistas de áudio e vídeo. Por conta do refinado estilo, acabou suscitando grande interesse dos leitores. Prova disso é que os seus textos atravessaram os mares e aportaram em Portugal.

O livro "Jazz, Cinema & Utopia" é fruto das publicações nas diversas revistas que colaborou nos últimos anos.