Disco: “Take Love Easy”, com Ella Fitzgerald e Joe Pass.

Se há algo que me espanta nessa vida é ver a facilidade que algumas criaturas têm para determinadas atividades. E quando eu digo facilidade, meus amigos, refiro-me muito mais àquela capacidade de fazer “o belo” acontecer, aparentemente sem muito esforço. Ou seja, construir verdadeiras obras-primas de modo simples e natural. Como podem?!
Confesso a vocês: no fundo, eu morro de inveja dessa gente. Sim! Porquanto eles produzem preciosidades, aos olhos de todos, mas que aparentemente parecem tão banais, tão corriqueiras…
Só para ilustrar, eu trago aqui o exemplo do disco da Ella Fitzgerald e do Joe Pass, intitulado “Take Love Easy”. Meu Deus do Céu, como pode alguém cantar de modo tão simples e, ao mesmo tempo, tão arrebatador?! Isso, sem falar que o nosso Joe Pass nos passa a sensação que o violão é o mais fácil dos instrumentos, tal a fluência com que ele executa os brilhantes acompanhamentos. Só ouvindo!
E ao ouvir novamente o CD nesta quarta chuvosa, eu comecei a me dar conta de que isso é bem maior do que parece. Calma aí… Eu tentarei explicar.
Vocês já perceberam que todas as vezes que a gente tentar “sofisticar” determinadas coisas, ela acabam perdendo a graça, a naturalidade e até mesmo a beleza? Pois é. Parece que a gente possui uma irremediável tendência de tornar tudo mais complicado. De querer, até mesmo, “reinventar a roda”, buscando explicações mirabolantes para aquilo que poderia ser simples e comum. Tão somente!
Aliás, já faz um bom tempinho que um matemático greco, de nome Arquimedes, precisou empreender profundas elucubrações para resolver um complexo dilema apresentado pelo rei. Segundo reza a lenda, o rei Hierão queria saber se uma coroa encomendada ao ourives era de ouro puro ou se haveria material de qualidade inferior na sua composição. O competente Arquimedes sabia que para isso deveria determinar a densidade da coroa e comparar com a densidade do ouro. A questão se complicava à medida que para medir o volume, seria necessário derreter a dita cuja. Arquimedes só descobriu a solução quando entrou numa banheira com água e, então, observou que o nível da água subia quando ele entrava. Com isso ele concluiu que para medir o volume da coroa bastava mergulhar a coroa em água e calcular o volume de água deslocado, que deveria ser equivalente. Segundo a história, ele saiu nu, correndo pelas ruas e gritando eufórico: “Eureka! Eureka!” (Achei! Achei!). Assim, foi criado o famoso “Princípio de Arquimedes”, como ficou conhecida a “solução” descoberta pelo grande cientista grego.
Moral da história: já que não somos Arquimedes, convenhamos, nós não precisamos ficar nus para provar os nossos valores. Por outro lado, se pensarmos bem, vale a pena nos desnudarmos de alguns bens “desnecessários”, não acham?!

https://www.youtube.com/watch?v=9Fx5mNCqMUc

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Sobre o escritor

Carlos Holbein Antunes de Menezes é, segundo ele mesmo, “um professor de química por formação ou sina e escritor por vocação ou insistência”.

Nascido no Ceará, foi morar no Rio de Janeiro quando tinha apenas cinco anos. Formou-se em Química, em 1976, onde teve início a carreira do magistério.

Após a aposentadoria do giz e do quadro-negro, Carlos Holbein passou a dedicar o seu tempo entre os projetos pedagógicos da Secretaria de Educação de Santa Catarina e a literatura, que junto com o cinema e o jazz formam a fonte de maior deleite.

Sobrinho do premiado escritor, Holdemar Menezes, com quem teve a sorte de conviver desde a adolescência, Carlos parece ter herdado do tio não somente a vocação literária, mas, também, o estilo marcante que seduz o leitor.

Em março de 2000, começou a escrever artigos sobre cinema e jazz para revistas de áudio e vídeo. Por conta do refinado estilo, acabou suscitando grande interesse dos leitores. Prova disso é que os seus textos atravessaram os mares e aportaram em Portugal.

O livro “Jazz, Cinema & Utopia” é fruto das publicações nas diversas revistas que colaborou nos últimos anos.

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