Disco: “Dreamland”, com Madeleine Peyroux.

No tempo em que eu era só criança, eu ouvia muitas histórias de fantasmas. Alguns deles eram camaradas, mas outros, minha gente, eram assustadores. E assim, com os olhos arregalados, eu fingia não sentir medo para não sofrer maiores pressões. Pois é. O fato é que, desde então, o mundo girou mais um bocado. Eu fui crescendo e conhecendo outros “fantasmas”, bem mais inquietantes. Bem mais cotidianos. Eles estão infiltrados em todos os cantos por onde andamos. Nos ônibus, nosso futuro incerto. Em nossas famílias, sonhos interrompidos.

Até que um dia eu estava caminhando pela Rua Augusta, em São Paulo, quando entrei numa dessas lojas de discos raros. Céus, não é que reencontrei os “fantasmas”… Sim! Pousavam nas prateleiras. Pousaram neste incrível disco da Madeleine Peyroux.

A “carinha” dela era até familiar, só faltava ter a violeta presa nos cabelos. Lá estava o fantasma de Billie Holiday. Atento como sempre. Como se soubesse exatamente a quem procurar e em quem se “encostar”. Se vocês não acreditam, então, ouçam Madeleine cantar “A prayer” e me entenderão. Caminhem com ela em “Walkin´after midnight”. Sejam “seu homem” em “Hey sweet man”. E se tudo isso não bastar, eu rogo a vocês: confiem em sua “La vie en rose”.

Ah, minha doce Billie, que falta você me fazia. Ao menos, até ter conhecido a sua “herdeira espiritual”. Por tudo isso, minha querida, eu beijo o seu passado e a partir de agora, creia-me, beijo também o seu presente…

https://www.youtube.com/watch?v=_nN2o6ypNNQ

peyroux

Sobre o escritor

Carlos Holbein Antunes de Menezes é, segundo ele mesmo, “um professor de química por formação ou sina e escritor por vocação ou insistência”.

Nascido no Ceará, foi morar no Rio de Janeiro quando tinha apenas cinco anos. Formou-se em Química, em 1976, onde teve início a carreira do magistério.

Após a aposentadoria do giz e do quadro-negro, Carlos Holbein passou a dedicar o seu tempo entre os projetos pedagógicos da Secretaria de Educação de Santa Catarina e a literatura, que junto com o cinema e o jazz formam a fonte de maior deleite.

Sobrinho do premiado escritor, Holdemar Menezes, com quem teve a sorte de conviver desde a adolescência, Carlos parece ter herdado do tio não somente a vocação literária, mas, também, o estilo marcante que seduz o leitor.

Em março de 2000, começou a escrever artigos sobre cinema e jazz para revistas de áudio e vídeo. Por conta do refinado estilo, acabou suscitando grande interesse dos leitores. Prova disso é que os seus textos atravessaram os mares e aportaram em Portugal.

O livro “Jazz, Cinema & Utopia” é fruto das publicações nas diversas revistas que colaborou nos últimos anos.