Disco: CD “Outro sentido” , com António Zambujo.

Tem vezes que a gente se depara com determinadas situações que nos parecem muito familiares. E desse modo, somos capazes de assegurar que já conhecíamos ou, pelo menos, já tínhamos visto aquela situação ou aquela pessoa em outro lugar…

É… parece incrível. Mas foi o que me ocorreu quando escutei pela primeira vez a voz de António Zambujo. É que ao ouvir, ela me soava algo tão próximo, íntimo até. E mais feliz ainda eu fiquei quando ouvi a canção “Ao sul”. Céus! Zambujo, com profunda sensibilidade, acolhe o violão solitário e canta vagarosamente a linda melodia: “Sob as águas desse rio / onde a barca dos sentidos / nunca partiu. / Lá longe / inventei o dia azul / pelo desejo de chegar ao sul…”

O que sei dizer é que ouvindo o CD eu fui tomado por muitas lembranças de Portugal, de um tempo que eu já não sabia mais que existia em minhas memórias. Porquanto eu tinha apenas vinte e seis anos de idade e conheci sozinho aquele maravilhoso país. Perambulei um bocado pelas ruas de Lisboa. Ora fuçando a Livraria Bertrand, na Rua Garret, 72, bem atrás dos Armazéns do Chiado. Ora extasiado pelo passeio nas ruas e becos da Alfama, visitando o Museu do Fado e ouvindo toda sorte de canções de Amália Rodrigues e tantos mais.

Sim! Hoje, talvez eu tenha recebido a visita do meu avô, João Antunes. Uma visita espiritual, por certo, pois afinal mal cheguei a conhecê-lo. Faleceu quando eu tinha pouco mais de dois anos de idade. Mas em algum lugar do meu DNA veio gravado o imenso amor que ele tinha por sua terra…

Por tudo isso é que nesse ensolarado sábado de frio, após a caminhada matinal pela Beira-mar, eu acabei pegando na estante um disco para ouvir enquanto me acomodava na rede do escritório. Não é que o disco, aleatoriamente escolhido, foi esse de António Zambujo, intitulado “Outro sentido”? Belíssimo, por sinal. Tem os ingredientes necessários para o deleite de todos: lindas melodias, belas interpretações e um imenso amor ao canto português!

Como não há nada mais a dizer, quero deixar aqui o meu registro de gratidão por esse Portugal que me acolheu tão lindamente. E ao meu avô João Antunes que, decerto, plantou nas terras brasileiras a marca de sua brava trajetória. Abençoado seja, vô!

https://www.youtube.com/watch?v=EdtEEOKMtFg&list=PL_5Ie4-nFson5w6qnDrwt1UbUmJEH4Nq9

Antonio_Zambujo

Vovô João

( meu avô materno, João Antunes)

Sobre o escritor

Carlos Holbein Antunes de Menezes é, segundo ele mesmo, “um professor de química por formação ou sina e escritor por vocação ou insistência”.

Nascido no Ceará, foi morar no Rio de Janeiro quando tinha apenas cinco anos. Formou-se em Química, em 1976, onde teve início a carreira do magistério.

Após a aposentadoria do giz e do quadro-negro, Carlos Holbein passou a dedicar o seu tempo entre os projetos pedagógicos da Secretaria de Educação de Santa Catarina e a literatura, que junto com o cinema e o jazz formam a fonte de maior deleite.

Sobrinho do premiado escritor, Holdemar Menezes, com quem teve a sorte de conviver desde a adolescência, Carlos parece ter herdado do tio não somente a vocação literária, mas, também, o estilo marcante que seduz o leitor.

Em março de 2000, começou a escrever artigos sobre cinema e jazz para revistas de áudio e vídeo. Por conta do refinado estilo, acabou suscitando grande interesse dos leitores. Prova disso é que os seus textos atravessaram os mares e aportaram em Portugal.

O livro “Jazz, Cinema & Utopia” é fruto das publicações nas diversas revistas que colaborou nos últimos anos.