Jazz: encerramento do Curso “Uma breve história do Jazz”.

Ao encerrarmos o curso “Uma breve história do Jazz”, no Cinema do CIC, lembrei-me da crônica que deu origem a essa ideia. Com ela, assim espero, eu quero prestar algumas homenagens. Aos alunos que frequentaram o curso, aos maravilhosos amigos músicos que nos deliciaram com uma tremenda “canja” e, obviamente, aos imortais gênios do jazz que justificam tudo isso..

É sabido que a música sempre ocupou um lugar de destaque no reino das artes. Em especial, o jazz, que pode ser considerado como o mais “erudito” dos ritmos populares, tal a riqueza melódica. Isto porque o jazz possui, em sua estrutura, arranjos tão sofisticados que somente músicos de qualidade são capazes de criar ou executar. Até então, somente a música erudita era reconhecida como “nobre” e, por conseguinte, a única que adquiria o “passaporte” da imortalidade. Os criadores dos famosos “clássicos” se perpetuaram e atravessaram a história com justa notoriedade. Não há quem desconheça as obras de Bach, Beethoven, Wagner e tantos outros gênios. No entanto, verdade seja dita: quase todos viveram ou frequentaram os burgueses salões das realezas. Bem diferente do nosso jazz, cuja origem foi escrava. Além disso, o nosso jazz serviu, inicialmente, apenas como canção de lamento. Ou seja, um pranto contra a dura opressão imposta pela burguesia. O verdadeiro canto dos “excluídos”…
Não quero, com isso, desmerecer o valor da música erudita. Seria insano. Todavia, acredito que o jazz possua mais legitimidade na sua história. Pelo simples fato de retratar a dor da alma. E dor, amigos, é o signo que mais atesta a condição humana. Seja ele branco ou preto, nobre ou plebeu. Nada disso importa. No fundo, o que vale mesmo é que o jazz sempre esteve acessível a todos. Sim! A todos que se deixam emocionar. Com dor ou paixão!

breve história

Sobre o escritor

Carlos Holbein Antunes de Menezes é, segundo ele mesmo, “um professor de química por formação ou sina e escritor por vocação ou insistência”.

Nascido no Ceará, foi morar no Rio de Janeiro quando tinha apenas cinco anos. Formou-se em Química, em 1976, onde teve início a carreira do magistério.

Após a aposentadoria do giz e do quadro-negro, Carlos Holbein passou a dedicar o seu tempo entre os projetos pedagógicos da Secretaria de Educação de Santa Catarina e a literatura, que junto com o cinema e o jazz formam a fonte de maior deleite.

Sobrinho do premiado escritor, Holdemar Menezes, com quem teve a sorte de conviver desde a adolescência, Carlos parece ter herdado do tio não somente a vocação literária, mas, também, o estilo marcante que seduz o leitor.

Em março de 2000, começou a escrever artigos sobre cinema e jazz para revistas de áudio e vídeo. Por conta do refinado estilo, acabou suscitando grande interesse dos leitores. Prova disso é que os seus textos atravessaram os mares e aportaram em Portugal.

O livro “Jazz, Cinema & Utopia” é fruto das publicações nas diversas revistas que colaborou nos últimos anos.