7 de Setembro
Ah, meus amigos, o calendário insiste em girar e nos trazer datas que carregam histórias e memórias. Hoje, 7 de setembro de 2025, o Brasil celebra mais um ano de sua independência. Mas eu, sentado diante desta folha em branco enquanto a manhã se anuncia, me pergunto: o que é a independência, afinal?
Lembro-me, como se fosse ontem, dos Sete de Setembro da minha infância no Estácio. O velho rádio do seu Amaral, no 707, transmitia o desfile militar enquanto a vizinhança se reunia no corredor. O cheiro de café recém-passado se misturava ao vozerio dos moradores. Para mim, menino de calças curtas, o desfile era apenas o barulho ensurdecedor dos tambores e o brilho do sol refletido nas baionetas. A independência era uma palavra grande, desengonçada, que cabia nos livros, mas não no meu coração de criança.
Foi preciso vivê-la aos poucos, em pequenas doses. A independência de escolher um caminho, de trocar o giz e o quadro-negro pela literatura e pelas crônicas. A independência de sentir que a nossa voz, por mais humilde que seja, pode encontrar eco no silêncio de um leitor atento. Como bem disse o nosso Drummond, "Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é o meu coração". O mundo só faz sentido quando a gente decide o que fazer com ele, quando a gente constrói a própria história.
Carlos Gomes, em seu "O Guarani", musicou o espírito de uma nação. Mas a independência que me interessa hoje, meus amigos, é a silenciosa, a que ocorre dentro da gente. É a coragem de Riobaldo, de Guimarães Rosa, de enfrentar a vida embrulhada, porque "a vida quer da gente é coragem". Coragem para ser dono do próprio destino, mesmo quando o passado teima em cobrar um preço. Coragem para escrever, para amar, para seguir em frente.
Que este 7 de setembro não seja apenas um feriado qualquer, um dia de sol ou de descanso. Que seja um convite à reflexão sobre o que realmente nos move. Que possamos, como o nosso querido Brasil, buscar a nossa verdadeira independência: a de pensar, sentir e escrever com o coração. Cá entre nós, é um exercício diário, uma luta que vale a pena.
Um grande abraço a todos e uma boa caminhada por este dia de celebração!