02 de agosto de 2025: crônica de um dia qualquer
Agosto chegou e, com ele, a brisa fria que anuncia o inverno no sul do Brasil. Hoje, ao acordar e olhar pela janela, percebi que o céu estava cinza, mas com uma luz suave que convidava à introspecção. Não há datas marcantes neste 2 de agosto, nenhum feriado ou efeméride; apenas um dia comum, desses que a vida nos dá para respirar e reorganizar os pensamentos.
Lembrei-me de uma crônica antiga, não minha, mas de um escritor que admiro, que dizia que os dias mais importantes são aqueles que passam despercebidos. Talvez por isso eu tenha resolvido escrever hoje, para fixar na memória este momento que, de outra forma, se perderia na poeira do tempo.
Enquanto tomava café, pus para tocar um velho disco de Chet Baker. A música "I Fall in Love Too Easily" preencheu a cozinha. Fiquei pensando sobre como o jazz tem o dom de nos transportar para outras épocas. Lembrei-me do meu pai, que não gostava de jazz, mas apreciava um bom samba. As memórias se misturam como acordes.
Mais tarde, peguei um livro de crônicas de Drummond. Li "O Lutador", que sempre me inspira. "Lutar com palavras é a luta mais vã. Entretanto, lutamos, mal rompe a manhã." Esses versos me acompanham há décadas. Hoje, eles ganharam um novo sentido: a crônica diária é uma luta contra o esquecimento.
O dia segue sem grandes acontecimentos. Talvez a beleza esteja exatamente nisso: na possibilidade de criar significado a partir do ordinário. Escrevo para que este 2 de agosto de 2025 não passe em branco. Não como um registro histórico, mas como um afago na alma.
E assim, entre um café e um jazz, vou levando a vida. O POLTRONA ESPECIAL segue sendo este espaço de encontro entre arte, literatura e música. Se você chegou até aqui, volte sempre. Há sempre uma nova história para contar.