MENSAGEM PARA ALEXANDRE – crônica

“Vivemos de beleza, de silêncio e belezas. / Trilhamos uma estrada incerta e traiçoeira. / A estrada perfumada por um crime.” (“Aparência”, de Marcos José Konder Reis).

Pois é, Alexandre. Você bem sabe o quanto lhe sou grato pela ajuda recebida. Algo que transcende a relação profissional entre o médico e o paciente. Afinal de contas, você foi o artesão responsável por esta ‘reconstrução’. Por isso mesmo, tornou-se muito importante saber que você me lê. Aliás, é bom que se diga, foi você que me incentivou a botar a mão nessa ‘caixa-preta’ e extrair de lá o que pudesse… Como as coisas que tenho escrito, por exemplo. Sim! Você tem agido como um catalisador, compreende? Além disso, nós temos em comum o gosto pelas letras, pelas memórias e, principalmente, pelas emoções que elas desencadeiam.

Também sei, amigo Alexandre, que os tempos andam bicudos. E que, por isso mesmo, nós temos tido poucos motivos para comemorar, não é verdade? Ainda assim, eu insisto: foi você que abriu as comportas da velha represa. Portanto, tornou-se ‘cúmplice’ pelo que ainda está para vazar…

Essa introdução toda, Alexandre, serve apenas para lhe dizer que estou às portas da minha merecida aposentadoria e, com isso, quero me dedicar com mais corpo e alma ao ofício da escrita. Já tenho prontos dois livros: sendo mais um de crônicas e outro de contos. E planos para um romance, se fôlego eu tiver para essa longa e difícil empreitada.

Aliás, certa vez assisti a uma entrevista com o ‘mestre’ Jorge Amado e lá pelas tantas ele falou do pânico que sentia toda vez que escrevia um novo romance. Ainda que ele já tivesse escrito dezenas de bons livros, mesmo assim, sempre sentia ‘pânico’. Da mesma forma, o meu querido tio Holdemar vivia momentos de profundo ‘sofrimento’ quando criava um livro novo. Tadinho… O homem penava feito um órfão abandonado!

Quanto a mim, não sei dizer como será o processo. Por ora, percebo apenas que eu me sinto ‘revigorado’ toda vez que produzo um texto novo. É como se eu estivesse ‘quitando’ antigas dívidas, Alexandre. De certo modo, creio, acho que isso é verdadeiro e que, de fato, eu estou ‘quitando’ antigas dívidas. Desse modo, consigo fazer as pazes com o meu passado.

Então, sigamos a vida…

Em tempo: há dois anos, João Pedro estava sendo apresentado ao mar dos Ingleses. Por certo, ele ficou profundamente encantado. E eu… bem mais ainda!

Eu e JP

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou “sina” e escritor por “vocação” ou insistência… Ver todos posts por Carlos Holbein

Sobre o escritor

Carlos Holbein Antunes de Menezes é, segundo ele mesmo, “um professor de química por formação ou sina e escritor por vocação ou insistência”.

Nascido no Ceará, foi morar no Rio de Janeiro quando tinha apenas cinco anos. Formou-se em Química, em 1976, onde teve início a carreira do magistério.

Após a aposentadoria do giz e do quadro-negro, Carlos Holbein passou a dedicar o seu tempo entre os projetos pedagógicos da Secretaria de Educação de Santa Catarina e a literatura, que junto com o cinema e o jazz formam a fonte de maior deleite.

Sobrinho do premiado escritor, Holdemar Menezes, com quem teve a sorte de conviver desde a adolescência, Carlos parece ter herdado do tio não somente a vocação literária, mas, também, o estilo marcante que seduz o leitor.

Em março de 2000, começou a escrever artigos sobre cinema e jazz para revistas de áudio e vídeo. Por conta do refinado estilo, acabou suscitando grande interesse dos leitores. Prova disso é que os seus textos atravessaram os mares e aportaram em Portugal.

O livro “Jazz, Cinema & Utopia” é fruto das publicações nas diversas revistas que colaborou nos últimos anos.

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