Memórias: “DORI CAYMMI E A HARLEY-DAVIDSON”

Outono de 1988. Eu ainda morava no Rio de Janeiro, no Arpoador. Como era um jovem professor, de apenas 27 anos de idade, eu descobrira a paixão pela motocicleta. Porquanto a ‘Cagiva-Harley-Davidson’ acabara de ser lançada no mercado brasileiro, com 125 cilindradas, quadro alto e motor de dois tempos. Nossa! Era uma baita moto e me proporcionou momentos de raro prazer, minha gente.

Guardo na memória incríveis passeios e aventuras que eu costumava fazer aos domingos de tarde. Bastava o sol baixar um pouco e, aí, eu pegava a moto e subia a Vieira Souto em direção ao Leblon. Na sequência, vinha a Delfim Moreira e, ao final dela, eu sempre optava pela Avenida Niemeyer, que nos brinda com um visual maravilhoso. Então, vinha São Conrado e eu tomava a direção da Estrada do Joá, que naquela época era confiável e segura. Pronto. Dali até o topo da Estrada da Pedra Bonita era bem rapidinho, ainda mais de moto, não é verdade?! E o ‘gran finale’, meus amigos, era a subida até o local em que os ‘malucos’ pulavam de asa delta… Céus…‘adrenalina pura’, isso sim! Eu permanecia ali por horas, apenas observando as pessoas e os voos…

Mas havia um toque especial nesse outono. É que as folhas das amendoeiras estavam bem amareladas e começavam a cair dos galhos, proporcionando uma visão espetacular durante o trajeto. Outro detalhe, também extraordinário, é que eu fazia este percurso com um fone de ouvido ligado ao “walkman”. E naquele outono de 1988, meus amigos, adivinhem qual era a fita de minha preferência? Sim! Era o recém-lançado álbum de Dori Caymmi. Meu Deus do Céu, quando eu acelerava a moto e subia o volume ‘Gabriela’s song’, parecia que eu flutuava nas nuvens. ‘Porto’, então, era outra melodia que eu reservava para a lenta volta, já que ela me remetia ao encantado mundo de ‘Gabriela’, na primeira versão da novela, de 1975, com o grupo vocal MPB4 deslumbrando a todos…

De um jeito ou de outro, o que eu posso dizer é que a minha vida sempre esteve atrelada aos Caymmis, seja Nana, Dori, Danilo ou mesmo ao velho e saudoso Dorival.

Abençoados, sejam!

https://www.youtube.com/watch?v=7W5r47snXhY

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Carlos Holbein

Carlos Holbein

Carlos Holbein Antunes de Menezes é, segundo ele mesmo, "um professor de química por formação ou sina e escritor por vocação ou insistência".

Nascido no Ceará, foi morar no Rio de Janeiro quando tinha apenas cinco anos. Formou-se em Química, em 1976, onde teve início a carreira do magistério.

Após a aposentadoria do giz e do quadro-negro, Carlos Holbein passou a dedicar o seu tempo entre os projetos pedagógicos da Secretaria de Educação de Santa Catarina e a literatura, que junto com o cinema e o jazz formam a fonte de maior deleite.

Sobrinho do premiado escritor, Holdemar Menezes, com quem teve a sorte de conviver desde a adolescência, Carlos parece ter herdado do tio não somente a vocação literária, mas, também, o estilo marcante que seduz o leitor.

Em março de 2000, começou a escrever artigos sobre cinema e jazz para revistas de áudio e vídeo. Por conta do refinado estilo, acabou suscitando grande interesse dos leitores. Prova disso é que os seus textos atravessaram os mares e aportaram em Portugal.

O livro "Jazz, Cinema & Utopia" é fruto das publicações nas diversas revistas que colaborou nos últimos anos.

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