21 de novembro de 2018
Hoje, ao acordar, percebi que o calendário marcava 21 de novembro. Uma data como outra qualquer, pensei. Mas, aos poucos, fui me dando conta de que cada número guarda sua própria história. O 21, por exemplo, me lembrou os 21 tiros de saudação, os 21 pontos de um jogo, os 21 dias para formar um hábito. Bobagem, talvez.
O dia estava claro e a temperatura amena, na medida para uma caminhada pela orla. Decidi ir até a Lagoa da Conceição, lugar que sempre me inspira textos e reflexões. Levei comigo um velho caderno e uma caneta, porque nunca se sabe quando as palavras resolvem aparecer.
Sentei num banco de madeira, próximo às barracas de artesanato. Fiquei observando as pessoas que passavam: um casal de idosos de mãos dadas, uma jovem com seu cão, um ciclista apressado. Cada um com sua própria história, seu próprio 21 de novembro.
Lembrei de Drummond: "O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente." E naquela manhã, tudo parecia presente, vivo, pulsando.
Voltei para casa com a sensação de que o dia 21 não era apenas um número. Era um convite à atenção, às pequenas descobertas que o cotidiano oferece. Escrevo estas linhas não para marcar uma data especial, mas para registrar que, mesmo nos dias comuns, há poesia.
Um abraço a todos e até a próxima crônica.