Disco: “Being myself”, com Lena Horne.

Havia nos Estados Unidos, no início dos anos 1940, uma enorme compulsão por musicais, quase sempre ricos e bem ensaiados. Com isso, os atores e atrizes eram “convidados” a se transformarem em talentos performáticos. Caso contrário, não prosperavam em suas carreiras, uma vez que somente os bons dançarinos, sapateadores e cantores, ao mesmo tempo, sobreviviam nos tempos da grande indústria cinematográfica norte-americana.
Por conta disso, eles protagonizaram centenas de grandes musicais, com ou sem histórias interessantes a serem apresentadas. O que valia naquela época, minha gente, era o resultado das bilheterias. Tanto que na Broadway todas elas estavam sempre lotadas e os gerentes ávidos para contar as inúmeras cédulas de dólar. Sim! Foram bons tempos para eles!
No bojo dessa onda, é verdade, pipocaram muitos talentos e outros nem tanto assim. É bem o caso da nossa Lena Horne. Dona de uma voz mediana, sem grandes extensões e variações, Lena viu-se obrigada a se tornar cantora, pois atriz ela já era, sendo consagrada pelo seu rosto bonito e atuações bem-comportadas, como desejavam os diretores dos grandes estúdios.
Mas é aquela tal história: “em terra de cego”… E justiça seja feita, Lena Horne soube escolher um repertório apropriado e com ele defendia o “pão nosso de cada dia”.
Contudo, este CD “Being myself”, de 1997, nós pegamos a Lena já na sua “descendente” e o resultado foi muito ruim, pois nem mesmo os fabulosos músicos que acompanhavam puderam “evitar o naufrágio”. Ainda que se possa louvar o repertório de belas melodias e “contidas” interpretações, no final, o melhor a fazer é lembrar de outras épocas dela em que a voz, ao menos, não escorregava tanto… Portanto, perdão, amigos!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência... Ver todos posts por Carlos Holbein

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