O Salvo-Conduto

Ah, meus amigos, há muito tempo eu venho pensando no que realmente nos serve de salvo-conduto nesta vida. Não estou falando de passes de ônibus ou de crachás de trabalho. Refiro-me àquelas chaves invisíveis que nos abrem portas onde aparentemente só existem muros.

Lembro-me que, quando decidi trocar o Rio de Janeiro por Florianópolis, carregava na bagagem mais do que roupas e livros. Carregava a sensação de que precisava de um salvo-conduto para recomeçar. O que encontrei foi um velho disco de jazz, "Affinity", do Bill Evans. Aquele disco foi meu salvo-conduto para uma nova vida. Toda vez que a nostalgia doía, eu colocava a agulha no vinil e me sentia em casa novamente.

Acredito que todos nós temos nossos pequenos salvos-condutos. Um cheiro, uma fotografia, uma frase. O importante é reconhecer o momento em que a vida nos cobra a passagem e saber que guardamos no bolso do coração o tíquete de volta para a nossa própria história.

Hoje, ao olhar para o Gabriel e para os meus netos, percebo que eles são o meu salvo-conduto mais precioso. A certeza de que o amor é a única autorização de que precisamos para seguir em frente, apesar de tudo.

E para vocês, meus leitores, que salvo-conduto tem guiado os seus passos? Que a resposta venha em forma de um sorriso, que já é um ótimo começo.

Um grande abraço e até a próxima crônica!

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