21 de março
Há dias que carregam em si uma força misteriosa. O dia 21 de março é um deles. Quando o outono começa a dar seus sinais no hemisfério sul, sinto que a natureza nos convida a um mergulho para dentro de nós mesmos. As folhas caem, o vento sopra de forma diferente, e o coração, quase sem perceber, se volta para o que passou.
A literatura, para mim, sempre foi essa ponte entre o que fui e o que sou. Lembro-me de tardes inteiras lendo poesia, deixando que os versos de Drummond ou o conselho de Riobaldo me tomassem por inteiro. Há uma sabedoria antiga em reconhecer que o tempo não passa em vão. Cada livro lido, cada música ouvida, cada conversa ao pé do café ficam registrados nessa memória afetiva de que falo sempre.
No dia de hoje, convido o leitor a fazer uma pausa. Não importa se está no Rio de Janeiro, em Florianópolis ou no Ceará. A beleza da data está justamente nesta interseção de estações, neste fio do tempo que nos conecta a todos. Que possamos, juntos, celebrar as pequenas coisas que dão sentido à existência: um gesto de afeto, um olhar sincero, a espera generosa pelo que há de vir.
Afinal, como já dizia o mestre, o correr da vida embrulha tudo. E o que a vida quer da gente é coragem. Que a tarde de hoje nos encontre com o espírito aberto para as infinitas possibilidades que o outono, e a própria vida, nos oferecem.