16 de março de 2025
Ah, meus amigos, que surpresa boa é poder sentar diante desta página em branco para conversar com vocês mais uma vez. Hoje, em especial, acordei com uma sensação estranha, um misto de nostalgia e paz. O tempo parece ter parado na janela do meu escritório. Lá fora, as primeiras folhas secas do outono dançam ao sabor do vento, enquanto o sol teima em esquentar a manhã. Só quem viveu muitos invernos, como eu, pode compreender verdadeiramente essa quietude no ar.
Lembrei-me de um velho amigo, já falecido, que costumava dizer que a vida é feita desses pequenos instantes de silêncio. "É neles, meu caro Carlos", ele afirmava com o seu olhar sabido, "que a alma se refaz para as próximas batalhas".
Aqui na minha estante, o livro do Drummond aguarda pacientemente por uma releitura. "Mundo mundo vasto mundo". Sempre que me deparo com o título, sou transportado de volta ao quintal da minha infância no Ceará, às mangueiras imensas carregadas de frutos, e ao cheiro inconfundível da terra molhada pela chuva. Céus, como o tempo passa!
O tempo, esse velho feiticeiro, nos prega peças. A gente vive na ilusão de que vai ser sempre criança, que o verão de 1973 não vai acabar, que as tardes no Estácio são eternas. Mas ele acaba. E o que fica? Ficam as memórias, as boas lembranças. O jazz de Chet Baker tocando baixinho num domingo à tarde. O cinema de Truffaut invadindo a sala escura da nossa imaginação.
É isso, meus amigos. A vida é um belo mosaico de fragmentos. Uns bonitos, outros nem tanto. Mas todos, todos eles, sem exceção, nos fazem quem somos.
A boa notícia é que ainda podemos recomeçar. O sol sempre nasce no dia seguinte, mesmo que escondido atrás das nuvens ou da correria do mundo.
Um grande abraço a todos e até o próximo post!