Arquivo de 3 de março de 2025

COMISSÃO DE FRENTE

Sexta-feira, agosto de 1973. Naquela noite, confesso, eu estava bastante apreensivo. Até porque, era a primeira vez que eu entraria naquele enorme ginásio. Antes, porém, devo dizer que o convite partiu da ‘tentação loura’. Sim! Afinal, eu era um professor de química em início de carreira no cursinho onde ela estudava, lá na Estrada do Portela, em Madureira. Além disso, é bom que se diga, aquela turma tinha mais de cem alunos na sala. E, curiosamente, o tablado que o professor dava aula, céus, mais parecia uma montanha russa: alto e perigoso!

Também é verdade que os ‘nossos olhares’ denunciavam a forte atração existente. Mas, é o tal negócio: quem pode prever o futuro, meus amigos? Ainda mais naquela turma, que era formada por alunos mais velhos. A maioria ali já trabalhava para sustentar o tranco da vida, sabe como é?! E, de mais a mais, turma da noite geralmente é agitada. Do tipo que exige do professor bastante ‘jogo de cintura’ e domínio de classe. E isso, reconheço, eu ainda não possuía, uma vez que era o meu primeiro ano no magistério.

Ainda assim, por algum motivo que não sei explicar, houve forte empatia entre a gente: eu e a turma da Portela. Lá, isso é fato. Bastava eu chegar na secretaria do cursinho e, logo a seguir, era cercado por um monte de alunos. Eles puxavam todo tipo de assunto, instigando-me de todas as formas. Algumas vezes era uma piada sobre o meu Flamengo, que andava mal das pernas naquela época que antecedeu a ‘geração do Zico’. Outras vezes, eram até dúvidas sobre química, algo muito raro de acontecer…

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