O Presente dos Deuses

Ao longo dessa caminhada, meus amigos, tenho refletido com frequência sobre os verdadeiros presentes que a vida nos oferece. Descobri que nem sempre vêm em grandes pacotes ou ocasiões especiais. Muitas vezes, são sutis como uma brisa de fim de tarde.

Uma canção que toca no rádio e nos transporta no tempo. O cheiro do café passado na hora pela manhã. A mão quente de quem amamos em um momento de silêncio. A lembrança repentina de uma história que achávamos esquecida. Esses são os autênticos "presentes dos deuses". Pequenas dádivas que nos despertam para o agora, para a beleza do ordinário.

Em um mundo que corre tão depressa, a atenção plena ao instante é quase um ato de coragem e rebeldia. É preciso parar, sentir, agradecer.

Na literatura, no jazz, no cinema, encontro esses presentes. Drummond nos ensinou que o mundo é vasto, mas o coração é mais vasto ainda. Bill Evans me fez companhia em tardes silenciosas de reflexão. Cada uma dessas obras, cada encontro, cada sabor, é um presente lançado em nosso colo pelo acaso, ou pelo destino, ou pelos deuses.

Que possamos, como escreveu o poeta, aprender a colher esses instantes com a mesma atenção com que colhemos flores. E que, ao final de cada dia, tenhamos a gratidão como companheira de jornada. Um grande abraço a todos que chegaram até aqui. Que os deuses vos presenteiem com muitos destes pequenos e grandiosos presentes. A vida merece ser celebrada.