Antigas Histórias – Parte 1

Ah, meus amigos, hoje me pego a remexer no baú das antigas recordações. Não sei exatamente o que desencadeou essa vontade repentina. Talvez tenha sido aquele cheiro de chuva que invadiu a sala pela manhã, anunciando o verão que se aproxima na nossa querida Florianópolis. Ou quem sabe a lembrança de um disco antigo, daqueles que a gente ouvia no domingo à tarde, enquanto o mundo lá fora parecia desacelerar.

Lá no Estácio, a história tinha cheiro de querosene e pó de sapato. Era uma gente simples, mas de uma sabedoria que a vida corrida de hoje insiste em esconder da gente. O seu Amaral, do 707, sempre dizia: "Quem não tem passado, não tem história, menino". E eu, menino ainda, não entendia muito bem a profundidade daquelas palavras. Hoje, na distância dos anos, o eco da voz dele soa como uma verdade incontornável.

É sobre isso que quero tratar nestas "Antigas Histórias". Não como um historiador formal, mas como um contador de causos. Um "causo" aqui, uma lágrima acolá, um sorriso discreto percebido no canto da mesa. Tudo isso cabe no vasto mundo que a gente carrega dentro de nós.

O escritor Carlos Drummond de Andrade, esse mineiro que tanto admiramos, nos ensinou que "o tempo não para". E ele não para mesmo, meus amigos. Mas as histórias, ah, as histórias a gente pode guardar num potinho de vidro, feito goiabada cascão, para saborear nos dias em que a saudade aperta. E é com essa doce expectativa que abro esta série. Sejam bem-vindos às minhas antigas histórias. Que elas encontrem em vocês um cantinho no coração.

Nesta primeira parte, convido vocês a darem um passeio comigo por essas ruas calçadas de memórias, onde o tempo parece ter parado na última esquina. Um abraço a todos, e que a memória nunca nos deixe órfãos de nós mesmos.