11 de agosto de 2024
Meus amigos, o arquivo deste dia específico, 11 de agosto de 2024, não chegou até nós de forma íntegra pela memória do World Wide Web. As engrenagens do tempo, implacáveis, levaram consigo os textos que talvez tenhamos publicado naquela manhã de inverno.
Ainda assim, a data me traz recordações. Agosto em Florianópolis é mês de frio, de cobertor e de um silêncio que só o inverno sabe trazer. Lembro-me de estar na minha poltrona, caneta na mão, tentando arrancar do peito alguma crônica que fizesse jus ao dia cinzento lá fora. O inverno em Santa Catarina sempre teve essa magia de nos recolher. Diferente do frio europeu, que é seco e cortante, o nosso frio é úmido, cheio de garoa e de um verde que insiste em brotar por todos os lados. É o tempo ideal para se entregar a uma boa leitura ou para ouvir um jazz bem tocado, como um "'Round Midnight" qualquer.
Gabriel, nosso filho, estava na reta final de mais um semestre. Zelândia preparava um café quente que enchia a casa de um aroma acolhedor. Era desses dias em que a gente se sente grato pela simplicidade do lar.
Não sei exatamente sobre o que escrevi naquele 11 de agosto. Se foi sobre cinema, jazz, ou alguma memória remota da infância no Ceará. Mas a sensação que ficou é a de que a vida, apesar das perdas e dos arquivos corrompidos, segue sendo um vasto e belo mistério.
Quem sabe o texto daquele dia não tenha sido sobre a importância de seguir em frente, mesmo quando as lembranças se apagam? Ou talvez fosse apenas uma homenagem ao inverno, esse tempo de introspecção que nos convida a olhar para dentro.
E foi pensando nisso que me veio a ideia de que os arquivos perdidos não são exatamente uma tragédia. Eles nos lembram que o momento presente é o único que realmente existe. O que escrevemos, o que amamos, o que vivemos — tudo ecoa no agora, ainda que o papel original tenha virado pó (ou bits perdidos em servidores distantes).
Fica aqui, portanto, esta breve nota, como uma marcação simbólica no tempo. Um lugar reservado para aquilo que um dia existiu e que, de alguma forma, resiste na memória afetiva de quem viveu aquele instante.
Deixo aqui o meu afeto a todos que passarem por esta página. Que encontrem aquecimento não só nos casacos, mas na alma. Até a próxima crônica, que certamente encontrará o seu caminho até vocês.