A CURVA DO TEMPO

É bem possível que algumas pessoas venham dizer que esse meu texto é saudosista. E que eu estou ficando velho e vivo ‘remoendo’ antigas passagens. Pois é, sei bem disso. Acredito até que, no fundo, elas têm razão. Porquanto o ato de escrever, de algum modo, traz embutido nas linhas incontáveis motivos de reminiscências.

Além disso, meus amigos, já se disse por aí que escrever é um ato de ‘resistência’. Ou de ‘libertação’. Vem daí, talvez, o porquê de os escritores ficarem entrincheirados em algum canto, pacientemente, à espera da oportuna chance de despejar suas palavras ‘ferinas’. Quase sempre, por meio de tortuosos e criativos pensamentos. Vá lá… isso também é verdade, devo reconhecer. Porém, não nos impede e nem limita a nossa capacidade de ensaiar novas ideias. E fazer o uso delas para aquilo que de fato os textos se destinam…

Sendo assim, feitas as apresentações formais, vamos ao que interessa. Ou seja: ‘A curva do tempo’!

Na verdade, o tema surgiu ontem à noite ao receber uma ligação do meu sobrinho. Ele me informava sobre o estado de saúde de minha irmã mais velha. É que ela foi infectada com a COVID-19 e está passando por maus momentos. Algo muito triste, isso sim, pois imagino o sofrimento que vem atravessando. Só quem passou ou passa por isso pode compreender a dimensão dessa dor. E torço imensamente que ela saia vitoriosa e sem sequelas. Até porque, justiça seja feita, ela vinha se cuidando bem e, por um desses infortúnios, acabou se tornando vítima dessa doença ainda desconhecida.

“Mas o que ‘A curva do tempo’ tem a ver com a enfermidade de sua irmã, Carlos?” – perguntarão alguns. Eu responderei: tem tudo a ver! É que ao me recolher e voltar os meus pensamentos para ela, eu me dei conta da importância que ela teve e tem em minha trajetória.

Afinal, ela foi a irmã mais presente nos episódios de minha vida. Sempre acrescentando ‘luz’ nos meus caminhos. Não apenas quando era preciso me consolar nos tropeços, é verdade. Mas, também, quando comemorava os meus progressos e conquistas. Pois, lá estava ela: presente, fiel e solidária.

Portanto, minha gente, ‘a curva do meu tempo’, de alguma maneira, sempre esteve atrelada a curva da vida da Mana. E por acreditar que há ‘justiça’ no reino divino, por certo, Deus abençoará essa sua filha corajosa e lhe concederá o ‘salvo-conduto’ de que tanto carece no momento…

Abençoada seja, minha irmã Holberina!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...