AS  RECORRENTES  ARMADILHAS

Eu tenho pensado bastante nesse tema nos últimos tempos. Sim, meus amigos! É que, vira e mexe, a gente se depara com situações conflitantes ou delicadas. E se pensarmos bem, podemos perceber que nenhum de nós está livre de tais situações ou comportamentos. É da vida… paciência!

De fato, chega a impressionar o número de vezes que plantamos ‘minas’ pela estrada que trilhamos. Sem sequer nos darmos conta que haveremos de percorrer aquele percurso pouco tempo depois. Ou seja: nós somos potencialmente vítimas de nossas próprias ‘armadilhas’…

No entanto, ainda que esse processo seja impiedoso, uma vez que é ‘autoimune’, devemos reconhecer a ‘vocação’ que o homem tem em promover boicotes à sua ascensão e ao seu progresso afetivo ou material. Para muitos de nós, essa tendência parece não ter fim. Porquanto praticamos gestos e ações autodestrutivas reiteradas vezes. E nem mesmo a lembrança do último ‘boicote’ é capaz de nos propiciar salvaguardas.

Basta olharmos para os lados e constataremos um significativo grupo de amigos ou colegas patinando nas ‘peculiaridades’. Com poucas variações nos processos. De tal forma que o observador atento pode até mesmo “antever” os passos desastrosos que serão efetuados por nós ou pelos outros, sem a devida percepção do momento vivido. Ah, minha gente… Isso dói. Dói muito! E o pior de tudo é que iremos repetir exaustivamente as equivocadas posturas. Ironicamente. Como se fosse ‘irrefreável’ o desejo de chafurdar na lama!

O que eu posso dizer é que comigo não foi diferente. Como tantas outras criaturas, eu também plantei em mim inúmeras ‘minas’, sem me dar conta de que elas explodiriam a qualquer momento. Por isso, sangrei pra valer. E sofri bastante… Até que um dia eu aceitei que precisava de ajuda. Céus… Talvez fosse o primeiro sinal de minha possível recuperação. Afinal, em algum lugar dentro de mim havia a crença de que eu podia me ‘restituir’ e que valia a pena o ‘risco’ nessa longa travessia…

Foram necessários sete anos de ajuda terapêutica em busca das minhas extraviadas ‘verdades’. É uma etapa difícil, sem dúvida, pois além de tudo nós nos deparamos com os hábitos e vícios adquiridos durante a trajetória. Afinal, até que a gente consiga se desvencilhar das ‘resistências’ ao tratamento, muita água há de passar por debaixo dessa ponte. Ou melhor, dessa vida!

Além disso, o processo terapêutico não promete nos levar para o “outro lado do arco-íris”. O que ele possibilita, isso sim, é que a gente possa enxergar o mundo de modo mais confortável às nossas emoções. Com sorte, aprenderemos a evitar aquelas conhecidas ‘minas’ que surgem ao nosso redor. E, com isso, aumentaremos a chance de não repetir os mesmos enganos de outrora.

O resto, creio, ficará por conta do destino de cada um. Posso, ao menos, desejar muita sorte, determinação e um universo de possibilidades novas aos amigos que permitirem essa chance.

Quem sabe assim poderemos viver dias melhores?!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...