OS SONS DO CORAÇÃO – crônica.

Existe a crença de que somente crianças bem pequenas são capazes de se comunicar com os espíritos. E ao fazerem uso dessa capacidade, elas conseguem estabelecer a mais pura ‘troca de impressões’. Talvez, por isso, elas sejam tão felizes, risonhas e espontâneas. Quem sabe não seja assim?! Quem sabe nós extraviamos esse dom ao longo do percurso da vida?

Pois é, meus amigos. O que eu posso dizer é que eu tenho um filho, hoje com dezessete anos, e pude acompanhar algumas dessas manifestações quando ele era criança. Muitas vezes, é verdade, eu observava o comportamento dele nas mais variadas situações e me surpreendia inúmeras vezes.

Hoje eu tenho um lindo netinho, João Pedro, que é filho do irmão mais velho do meu querido Gabriel, e percebo que ele repete semelhantes manifestações. Céus! Lembro até da primeira vez que ele entrou no meu escritório, ainda engatinhando, e ao se deparar com os quadros pintados pela minha falecida mãe, Jarina Menezes, parecia estabelecer uma longa ‘conversação’ com eles. Além disso, João Pedro gostava imensamente de tocar naquelas pinturas, balbuciando incompreensíveis sons. O que ele desejava comunicar, eu não sei dizer. Sei apenas que eram fortes os laços estabelecidos…

Aí, alguém perguntará: o que isso tem a ver, Carlos? Eu, então, responderei: tudo, minha gente! Deixem-me justificar. Eu percebi isso quando eu fui a Curitiba assistir ao “1º Festival de Jazz Manouche”, a convite do meu amigo Mauro Albert. Foram três maravilhosos dias de profundo deleite. Afinal, eu ouvi melodias que se inspiravam nos melhores sons do jazz cigano. Era como se eu retornasse ao convívio dos ‘sons naturais’, lindos e arrebatadores. Dignos da pureza dos anjos!

Mauro me presenteou com o mais recente álbum, fruto do encontro que teve com o extraordinário músico, Louis Plessier, falecido em 2014. Intitulado “La musique toujours vivant de Louis Plessier”, o CD é composto por treze magníficas faixas, entre as quais eu destaco a primeira, “La peinture” e a de número 11, “Pour un monde meilleur”. Sim! Ao ouvir as canções, eu fiquei com a certeza de que Gabriel e João Pedro tinham razão: nós precisamos ‘de um mundo melhor’, minha gente. Precisamos das pinturas… e das melodias que emanam delas!

(Dedicado ao meu querido amigo Mauro Albert e ao ‘inspirador’ Louis Plessier)