‘ESTÁCIO’, MEU VELHO E QUERIDO AMIGO – crônica

Ah! meu velho Estácio, quantas vezes eu evoquei você em pensamento. Isto porque, saiba, foi você o responsável por quase tudo que aprendi. E continua me acompanhando em muitas viagens. Em quase todas, reconheço, foram bons os caminhos que trilhei… Sim! Por isso mesmo eu devo a você, meu amigo, boa parte das esperanças que conservei. Por sinal, foi com você que eu aprendi a ‘soletrar’ esse mundo… Disso, eu nunca esquecerei, parceiro!
É bem verdade que já faz um bom tempo que deixei gravado nas esquinas do bairro a memória de um menino ávido para conhecer a vida. Mas ele cresceu. Tornou-se um rapaz inquieto e um homem perseverante: desses que buscam na vida algum sentido a mais, além da mera sobrevivência… E não terá sido surpresa para você, meu bom Estácio, que esse menino tenha buscado o magistério e se tornado professor de química.
Aliás, você bem sabe, ele sempre se mostrou grato aos professores que o ajudaram a formar o caráter. Talvez, pelo fato de ter estudado a vida inteira em escolas públicas, esse fosse o caminho natural: quitar essa antiga ‘dívida’, repassando o conhecimento para outras gerações.
A seguir, vieram dois casamentos, sem a presença dos desejados filhos; vieram mudanças no percurso, cidades e amigos a conquistar; vieram novos sonhos e novos desejos de família. E foi proveitosa tal insistência, pois rendeu a ele um lindo filho e uma esposa maravilhosa.
No entanto, apesar de todo o ‘chacoalhar’ dessa viagem, o certo é que ele nunca perdeu de vista as origens nordestinas. Tampouco as lembranças desse velho e querido amigo, Estácio.
Afinal, foi ali na esquina da Zamenhof que eu fui compreender a importância e o legado que vêm das ladeiras do Estácio. E caso alguém duvide, basta lembrar a linda canção de Luiz Melodia:

“Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio

O Estácio acalma o sentido dos erros que faço
Trago, não traço, faço, não caço
O amor da morena maldita domingo no espaço
Fico manso, amanso a dor
Holiday é um dia de paz
Solto o ódio, mato o amor
Holiday eu já não penso mais…”

( Imagem: Largo do Estácio, 1940 – Foto de Ferreira Júnior )

Estácio

 

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...