Memórias: CELEBRANDO CHICO BUARQUE – PARTE 1 / 3 (REPUBLICADO)

Verdade é que eu ainda me encontro sob a forte influência do show de Antônio Zambujo. Meu Deus do Céu, que coisa linda foi aquilo!

Por conta disso, resolvi revisitar a obra do mestre Chico para matar as saudades. O que sei é que em outro país, meus amigos, Chico Buarque já teria estátuas em todas as praças, tal a importância que tem para a literatura e para o cancioneiro nacional. Ao lado de Tom Jobim, Caetano Veloso e outros mais, Chico Buarque ocupa lugar de destaque nessa galeria que nos enche de orgulho…

“Pra mim, basta um dia / Não mais que um dia /… E eu faço desatar / A minha fantasia”.
Sim, sei disso, meu caro Chico. E sei também que “quando nasci veio um anjo safado / o chato dum querubim / e decretou que eu tava predestinado / a ser errado assim. / Já de saída a minha estrada entortou / mas vou até o fim!”

É certo que a vida da gente tem muitos caminhos. Por isso, “arrisquei muita braçada / na esperança de outro mar / hoje sou carta marcada / hoje sou jogo de azar…”
E pouco importa o juízo que fazem de mim… pois, afinal, quem sabe de mim sou eu. E “ninguém, ninguém vai me segurar / ninguém há de me fechar / as portas do coração / …Eu não / Eu não vou desesperar / Eu não vou renunciar… / Enquanto eu puder cantar / Enquanto eu puder sorrir…”

Aliás, se pensarmos bem, veremos que há tanta gente que passa por nossas vidas sem que a gente conheça a sua história e o que trazem no peito… “Uns vendem fumo / tem uns que viram Jesus! / Muito sanfoneiro, cego tocando “blues” / Uns têm saudade e dançam maracatus… / Mas, há milhões desses seres / que se disfarçam tão bem / que ninguém pergunta / de onde essa gente vem?!”

Há quem assegure que o melhor aliado do homem é a memória. Porquanto é o único patrimônio verdadeiramente intransferível. E se isso for verdade, eu lhe direi: “Não se afobe não / que nada é pra já / o amor não tem pressa / ele pode esperar / em silêncio / Num fundo de armário / na posta-restante / Milênios, milênios no ar…”

Entretanto, e se essa memória for apenas um sonho? “Um sonho em que eu era o rei / era o bedel e era também juiz / E pela minha lei / a gente era obrigado a ser feliz / E você era a princesa que eu fiz coroar / e era tão linda de se admirar / que andava nua pelo meu país…”
Sei apenas que “hoje eu acordei com saudades de você”, meu querido João Pedro!