Memórias: “A CONTABILIDADE NO PERCURSO DE CADA UM”

Quando a gente olha para trás, tentando resgatar alguma lembrança especial, é possível que vislumbremos alguns percursos realizados. Nesse momento, se estivermos atentos, poderemos perceber os acertos e erros cometidos durante a trajetória. É algo interessante, sim, à medida que temos a oportunidade de corrigirmos algumas rotas ou comportamentos.

Eu não sei dizer quanto a vocês, amigos leitores, mas de vez em quando eu penso nisso. Não de modo obcecado, por certo. Porém, tenho apenas o propósito de melhorar posturas e, com isso, poder oferecer aos outros algo mais valioso nas relações que estabelecemos.

Também é verdade que somos criaturas portadoras de heranças e, algumas delas, sequer tomamos consciência da invisível ‘transferência’ ocorrida ao longo da vida. Pois é. Ao que tudo indica, é bem variado o ‘acervo’ emocional e intelectual da gente.

Eu digo isso porquanto percebo que carreguei durante o caminho um sem número de valores que eu não sei se eram meus. Pior ainda: eu repeti ações e comportamentos que, em verdade, não emanavam do meu ‘baú afetivo’, pois foram construídos em cima de modelos alheios. Inadvertidamente, reconheço. Até porque, convenhamos, o preço da ignorância ou da imaturidade emocional é, por vezes, demasiado alto e não damos conta dele. No fundo, é uma grande pena, pois desse modo permitimos que nos coloquem aquelas ‘bolas de prisioneiro’ atadas às nossas desavisadas pernas…

De um jeito ou de outro, minha gente, temos que reconhecer que há muitas heranças que deveríamos negar provimento. Em muitos casos, é verdade, elas só ocorreram porque não tivemos o necessário discernimento. Como consequência, entraremos no ‘vermelho’ e pagaremos por nossa distração ao permitirmos os ‘aceites’. Bom seria se pudéssemos efetuar a contabilidade em tempo real e, com isso, desenvolvermos o correto o ‘inventário’. Sim! Para que não se acumulassem indevidas ‘entradas’ nessa preciosa conta-corrente. Desse modo, talvez conseguíssemos devolver aos ‘credores’ das nossas manifestações o quinhão que cabe a cada um deles. Com sorte, quem sabe, ao aprender o ‘oficio da vida’, teríamos melhores chances?! Somente assim, meus amigos, devolveremos aos ‘credores duvidosos’ o estorno das malfadadas transferências…
(Praia do Porto das Dunas, município de Aquiraz, no meu velho Ceará)

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Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...