Disco: CD – “Friends for Schuur”, com Diane Shuur.

Tudo bem. É provável que eu vá cometer mais uma “sandice”. Mas, deixe-me explicar, antes que algum “fiscal” de plantão decrete a minha penitência. A verdade é que não gosto do estilo da “Diane Shuur”. Sinceramente, acho que ela “grita” demais. E anotem aí: eu disse que não gosto do estilo dela e não da voz, que possui muitos recursos. Então, para preservar a minha integridade física (a gente nunca sabe do que é capaz um fã ardoroso!), eu também declaro que considero “razoável” a escolha do repertório. De fato, o que se percebe é que são raras as canções bem interpretadas, isso sim. E eu já procurei um bocado, minha gente!

“Ô, Carlos, então, por que escolheu esse disco?!”, perguntarão os leitores. Céus! Queiram me desculpar, mas é que esse é o “meu ofício” aqui neste “espaço”, certo? Se quiserem posso justificar de outro modo mais contundente: paguei mais de quarenta reais por esse CD – “Friends for Schuur” – na esperança de ser “surpreendido”. Tá bom assim para vocês?!

Além do mais, a turma que integrou o disco é de primeira grandeza. Afinal, temos Dave Grusin, Stan Getz, Ray Charles e Herbie Hancock, entre outros. No entanto, foi um desperdício de talentos! Apesar de todo o esforço, não conseguiram evitar o “naufrágio” do disco… um verdadeiro Titanic fonográfico!

https://www.youtube.com/watch?v=RsOybkKT61U

Diane Shuur

Jazz: o saxofone e o jazz.

É interessante perceber algumas mudanças na história do jazz. Vejam só o exemplo do saxofone. Hoje, ele talvez seja o instrumento mais representativo e mais associado ao jazz, não é verdade? Mas, curiosamente, nem sempre foi assim. Na realidade, o saxofone foi introduzido de forma muito lenta na música norte-americana. Muito embora ele exista desde a metade do século 19, até meados da década de 20 do século passado o sax era considerado um instrumento impróprio para o jazz. Para se ter uma ideia dessas dificuldades, até 1923, Coleman Hawkins era o único saxofonista-tenor que tocava jazz, ano em que gravou com Fletcher Henderson (um dos responsáveis pelo surgimento do “swing” e das primeiras bandas). Até então, o saxofone era bastante comum somente nas “charangas” (pequenos grupos ou orquestras não muito “afinadas”). Todavia, ele era malvisto pelos músicos de jazz… Com o passar do tempo, o sax “reivindicou seu espaço” e passou a ocupar um lugar de destaque. E assim, fabulosos músicos abraçaram esse instrumento e extraíram dele um som fenomenal. Ufa… sorte a nossa!

( Fotos:  John Coltrane,  Coleman Hawkins  e  Charlie Parker )

Disco: CD “Woman”, com Diana Krall, Shirley Horn, Helen Merril, Anita O’Day, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Abbey Lincoln, Carmen MacRae e muitas mais.

“Coletânea”, meus amigos, é a mais bem inventada “armadilha” da indústria fonográfica. Isto porque, via de regra, os produtores recorrem a esse expediente para surpreender os incautos, “empurrando” assim produtos de discutida qualidade. Sim! Isso parece ser a mais pura verdade. No entanto, convenhamos, vez por outra o tiro também sai pela culatra. É bem o caso deste disco, “Women”. Meu Deus do Céu, que maravilha de álbum! Por isso, então, benditas sejam as mulheres. Porquanto somente elas conseguiriam essa proeza!
O que eu sei é que para calar a boca de alguns “machistas” renitentes, vejam vocês, a produtora colocou em campo um time de primeira: Diana Krall, Shirley Horn, Helen Merril, Anita O’Day, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Abbey Lincoln, Carmen MacRae e muitas mais. Por ser um álbum duplo, o disco nos possibilita ouvir diversas vocalistas, com diferentes estilos e personalidades. O resultado foi excelente, porquanto o disco ficou harmonioso e, o que melhor, variado. Como resultado, o álbum tem “crooner” pra todo gosto, minha gente. O importante é que eu me deliciei um bocado ouvindo Abbey Lincoln interpretar a sentida canção “Brother, can you spare a dime?” Tive até vontade de levantar um empréstimo e oferecer “algum”… Sabe como é: eu sempre tive um coração mole mesmo… fazer o quê?!

 

Women

JAZZ:  as primeiras gravações!

As primeiras gravações de discos de jazz foram feitas em 1917. O grupo pioneiro foi a “Original Dixieland Jazz Band”, uma orquestra composta por músicos “brancos”. Ainda que fossem bons músicos, não conseguiam desenvolver o gingado e a atmosfera tão comuns nos grupos negros. Com maior poder de improvisação, os negros só iriam gravar quatro anos depois, em 1921, graças ao talento da orquestra de “Kid Ory”. No entanto, boa parte dessas gravações foi realizada com processos acústicos rudimentares, que tornavam sua reprodução bem precária. Valem muito mais como “documentos” históricos. Um legado que as gerações seguintes abraçaram sempre com o mesmo espírito inovador e criativo. Aliás, o período foi pródigo e diversos músicos se lançaram, alcançando muito sucesso, alguma fama e pouco dinheiro… Eram tempos difíceis, minha gente! Tempos em que não havia “mídia”, empresários, agendas, e os “shows” eram quase sempre gratuitos. Há quem diga que foi o grande momento do jazz. Momento de desenfreada “criação”. Pode ser. Afinal, hoje conhecemos obras-primas que foram interpretadas por King Oliver, Jelly Roll Morton, Bessie Smith e Scott Joplin, entre outros. Uma seleção de primeira!

Se a “América” estava em depressão, atolada até o gargalo nas dificuldades financeiras, os músicos sublimavam tudo e criavam o “Ragtime”. Isto porque a música, como expressão extraordinária de arte, não conhece cifrões, disputas ou autoritarismos. Pelas mãos de talentosos músicos, o jazz – sempre irreverente e audacioso – foi até capaz de “aceitar” a súbita ausência do seu grande combustível: o bom e velho “uísque”…
Mas, pelo amor de Deus, não façam isso novamente!

 

original diexeland jazz band