Disco: CD “Swing  brasileiro”, com Jorginho do Trompete.

Eu mal acabara de estacionar o carro e ainda estava na entrada do bar. Foi quando o amigo Cássio Moura, guitarrista de primeira grandeza, sem perder tempo, foi logo me avisando: “Carlos, preste toda a atenção no “pretinho” do trompete. Amanhã, lá no shopping, você me dirá o que achou. Certo?!” Eu respondi sim, enquanto procurava um bom lugar para me sentar e apreciar mais uma “jam session” do Quarteto. Ao microfone, Cássio anunciava o convidado especial daquela noite: Jorginho do Trompete!

No entanto, no que me diz respeito, o anúncio fora equivocado, uma vez que pelo corpo abastado do trompetista, ele estava mais para “Jorjão” ou coisa assim. Quanto ao sorriso largo, céus!, eu até pensei que era filho de Louis Armstrong ou ele “reencarnado”! Na dúvida, convenhamos, o melhor a fazer era pedir ao garçom para trazer o balde com cervejas. Muitas. E o mais rápido possível, já que a noite prometia!

Então, o tal do Jorginho, que eu desconfio que é filho do Louis Armstrong, começou a soltar o verbo. Ou melhor: soltar o som! Sempre sonoro, melodioso. Até que chegou a vez de “Conceição da Barra”. Meu Deus, que belíssima composição. Puro lirismo, isso sim, arremessado do trompete daquele “pretinho”. E ele, virtuoso e compenetrado, passeava pelo salão do bar cumprimentando cada espectador com um par de olhos arregalados. Aí, sem nenhuma cerimônia, eu acabei abraçando o músico e beijando sua enorme bochecha. Afinal de contas, as cervejas já circulavam na corrente das emoções…

Do outro lado do bar, Cássio me observava e, também com o olhar exultante, confirmava a sua sentença: “eu não disse que o “pretinho” era danado de bom?!”

https://www.youtube.com/watch?v=Hp5K6-bnoyc

Jorginho do Trompete