Disco:  CD  “La  mémoire  de  vent”, com Bia.

Uma coisa é verdade: o que tem de gente “destrambelhada”, perambulando por aí, não está no mapa. E como dizem que “cada louco tem sua mania”, então, eu vou contar um “causo” que me ocorreu. Foi no tempo em que frequentava o curso ginasial. Ou seja: é da época que o Mar Morto não estava nem doente ainda! Bem… melhor deixar pra lá. O fato é que eu me apaixonei, perdidamente, pela professora de francês, quando era adolescente. Coisa linda! E ela, durona, só “aceitava” conversar com os alunos se fosse em francês. Caramba, eu mal tinha saído do “cearês”! Mas é aquela história: cearense é bicho teimoso, que não larga a “rapadura”. E assim, não me dava por vencido. Estudava feito um louco, decorando até frases inteiras. Só para ter um “tête-a-tête” de dois minutos com ela. Bastava uma oportunidade e lá estava eu: “a tout à l’heure”, despedindo-me dela com tremedeira nas pernas. Céus… o que foi aquilo?! Passados tantos anos, vejam vocês, até hoje eu me lembro com carinho da professora Neide, e tenho por ela profunda gratidão.

“Ô, Carlos, você está aqui para falar sobre literatura, cinema e jazz e não de paixões juvenis”. Caramba, queiram me perdoar! Tudo bem… Já que é assim, a dica, então, é o disco dessa brasileira radicada na França: Bia. Meu Deus! Ela canta feito passarinho e tomou emprestado as canções de Chico Buarque e de Pierre Barouh. O que sei é que Bia consegue dar um toque pessoal e intimista às melodias. A interpretação de “Barbara” ficou emocionante. E a memorável canção, “Los Hermanos”, adquiriu profunda dramaticidade, com o acordeão “chorando” em solidariedade ao tema. Ficou impecável!

Enfim, para matar as saudades da querida mestra, só me resta dizer: “Elle était ma maîtresse préférée. Et à ce jour, je garde les meilleurs souvenirs de cette époque!“

https://www.youtube.com/watch?v=z_0Na_VF5Yw

Bia

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...