Disco: “Dreamland”, com Madeleine Peyroux.

No tempo em que eu era só criança, eu ouvia muitas histórias de fantasmas. Alguns deles eram camaradas, mas outros, minha gente, eram assustadores. E assim, com os olhos arregalados, eu fingia não sentir medo para não sofrer maiores pressões. Pois é. O fato é que, desde então, o mundo girou mais um bocado. Eu fui crescendo e conhecendo outros “fantasmas”, bem mais inquietantes. Bem mais cotidianos. Eles estão infiltrados em todos os cantos por onde andamos. Nos ônibus, nosso futuro incerto. Em nossas famílias, sonhos interrompidos.

Até que um dia eu estava caminhando pela Rua Augusta, em São Paulo, quando entrei numa dessas lojas de discos raros. Céus, não é que reencontrei os “fantasmas”… Sim! Pousavam nas prateleiras. Pousaram neste incrível disco da Madeleine Peyroux.

A “carinha” dela era até familiar, só faltava ter a violeta presa nos cabelos. Lá estava o fantasma de Billie Holiday. Atento como sempre. Como se soubesse exatamente a quem procurar e em quem se “encostar”. Se vocês não acreditam, então, ouçam Madeleine cantar “A prayer” e me entenderão. Caminhem com ela em “Walkin´after midnight”. Sejam “seu homem” em “Hey sweet man”. E se tudo isso não bastar, eu rogo a vocês: confiem em sua “La vie en rose”.

Ah, minha doce Billie, que falta você me fazia. Ao menos, até ter conhecido a sua “herdeira espiritual”. Por tudo isso, minha querida, eu beijo o seu passado e a partir de agora, creia-me, beijo também o seu presente…

https://www.youtube.com/watch?v=_nN2o6ypNNQ

peyroux

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...