Memórias: “Encontros e desencontros.”

Pelo visto, nem mesmo Camus ou Kafka, os mestres do absurdo, conseguiriam imaginar soluções definitivas. E olha que eles não foram os únicos que se sentiram “estrangeiros” nesse conturbado mundo. É que no fundo, há sempre um pouco desse sentimento presente em cada um de nós. Porquanto muitos de todos nós já nos deparamos com situações profundamente “conflitantes”. Ainda que sejam repudiadas, devemos reconhecer que elas fazem parte da trajetória da gente. Afinal, quem não se sentiu perdido, injustiçado e sem perspectivas em algum momento da vida? Quem não experimentou fortes dores ao longo do percurso e, muitas vezes, provou o “pão que o diabo amassou”? Como se as razões extinguissem o bom senso e traíssem qualquer noção de humanismo. Como se o “absurdo” valesse bem mais do que tudo…

Pois é. Na verdade, é sabido que muitos pensadores já se reconheceram encurralados pelo mundo “normal”. E, provavelmente, eles devem ter se sentido “impotentes” diante dos acontecimentos… Paciência! Fazer o quê?! Bertolt Brecht, por exemplo, foi um que declarou: “Eu vivo num tempo sombrio. / A inocente palavra é um despropósito. / Uma fonte sem ruga denota insensibilidade. / Quem está rindo é porque não recebeu ainda a terrível notícia!” Será isso loucura? Será absurdo? Nem sempre, minha gente… nem sempre!

Rainer Maria Rilke foi outro que se deparou com tais emoções. Em “Cartas a um jovem poeta”, ele nos aconselhava: “…mas não se importe. Uma só coisa é necessária: a solidão, a grande solidão interior. O que é preciso é caminhar em si próprio e, durante horas, não encontrar ninguém – é a isto que é preciso chegar”. E agora?! Pois é. Nós até podemos acalentar esses conselhos, contudo, convenhamos, torna-se extremamente complicado pôr em prática, não acham?!

O que sei dizer é que essas utopias poderão encontrar – aqui ou acolá – alguns seguidores, pois há todo tipo de gente nesse mundão de Deus. Entretanto, devo declarar: apesar de tudo, eu sempre preferi resolver as pendências por meio do “contato humano”, à medida que somente ele é capaz de nos proporcionar a verdadeira troca. Troca essa que “colhemos” ao nos “relacionar” com o outro. Evidentemente, muitas vezes isso é algo bem “complicado” e, por vezes, parece mesmo inatingível. Ainda assim, eu acredito que o sentido maior da nossa existência esteja na “relação humana”. Lá, isso sim!

Seja lá como for, minha gente, vendo isso ou escutando aquilo, no fim das contas eu acabo concordando com a excelente dramaturga, Maria Adelaide Amaral, quando diz: “… mas vou continuar de braços abertos porque, apesar da dor, do desencontro que tenho experimentado nas minhas relações afetivas, continuo a acreditar que o amor é a única coisa capaz de me salvar!”

encontros e desencontros

Foto: Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.