Disco: CD “So goes love”, com Charles Brown

Meus amigos, muitas vezes esse tal de “preconceito” complica por demais a nossa vida. Sim! Eu explico. É que o famigerado “mundo globalizado” vem nos cobrando posturas e comportamentos para todo tipo de situação. Até aí, tudo bem. Antigamente, por exemplo, eu podia tratar alguns amigos negros carinhosamente por “negão”, sem que isso representasse ofensa ou desrespeito. Da mesma forma como eles me respondiam pelo apelido de “pau-de-arara” ou “paraíba”, mesmo eu sendo cearense. Contudo, isso nunca me feriu, porquanto eu tenho profundo orgulho de ser nordestino! Então, estamos combinados, não é verdade?!
Porém, o que eu queria dizer é que a voz que sai da garganta desse “negão” não está no “script”. É impressionante, minha gente! E, cá entre nós: com certeza o nosso Jorge Ben o chamaria de “Charles, Anjo 45”. Não por conta da idade, creio. Mas que é o “rei da malandragem”, lá isso é! O “suingue” que solta na voz e no piano é puríssimo. Daí, ele virou titular absoluto do meu time. Como dizia aquele vitorioso técnico de futebol: agora, é ele e mais dez! Basta ouvir a primeira canção do álbum “So goes love”. Intitula-se “New Orleans Blues” e já nos primeiros acordes sentimos no ar uma baita sedução. Charles Brown canta com uma tremenda intimidade e passeia na melodia feito aquele velho malandro que sabe o que quer. Pura magia!
Até que chegou a vez de “Sometimes I feel like a motherless child”. Céus! Confesso a vocês: tive até vontade de adotar o “desamparado órfão”, tal a emoção sentida. Afinal de contas, eu sempre tive o coração mole mesmo… Fazer o quê?!

https://www.youtube.com/watch?v=Cczb3fJ622Y

charles Brown

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...