Literatura: Sim! Os “feiticeiros” existem!

Que eu saiba, cada criatura carrega no seu imaginário alguns mitos e heróis. E mesmo que a gente não queira confessar, no fundo, o “encantamento” por determinadas pessoas ou causas ultrapassa os limites da simples admiração.

É verdade, meus amigos, desde muito jovem eu me senti “abduzido” em diversos momentos. Algumas vezes, foram “causas” que me encantaram e eu as defendi com unhas e dentes. Foi o caso dos movimentos estudantis, pois ainda muito jovem eu me vi abraçando essa bandeira. E daquele modo, eu pregava por liberdade e participação nos destinos da educação. O mundo inteiro clamava por uma educação de qualidade…

Pouco tempo depois, eu novamente me vi enredado pelo “fascínio”, só que dessa vez era o cinema. Aquela telinha mágica que é capaz de nos transportar por mares nunca dantes navegados. Meu Deus, o que era aquilo? Eu parecia muito mais um daqueles ardorosos membros de fã-clubes que cultuam seus ícones. Eu e meus amigos aficionados íamos assistir diversas vezes aos filmes “cult” de Jean-Luc Godard, como o “Acossado”, na esperança de aprender a “soletrar o mundo”…

Nessa mesma época, eu também descobri o gosto pela leitura e o prazer que ela nos oferece. E durante as descobertas, eu encontrei os meus gurus na literatura: Rubem Fonseca, Vargas Llosa, Camus e tantos mais. Ah, que encantamento! Quanta sedução pode haver em um bom texto!

Rubem Fonseca, por exemplo, escreve histórias surpreendentes. Sedutoras. Por isso, é um verdadeiro mestre para mim. Aliás, foi com ele que eu comecei a entender o que é o bom uso das palavras em favor de uma ideia. Rubem mais parece um artesão, pois consegue construir com imensa paciência e dedicação o enredo de suas comoventes histórias. Seus livros estão aí para o deleite de todos. E para não cometer nenhuma injustiça ou esquecimento, gostaria de lembrar aqui alguns dos que me tocaram profundamente a alma: “O cobrador”, “Feliz Ano Novo”, “Lúcia MacCartney”, “Histórias de amor”, “A grande arte”, entre outros.

Pois é. Já houve quem afirmasse que uma arte só tem total legitimidade quando é capaz de “ferir mortalmente” as percepções alheias, deixando registros permanentes na alma de quem permitiu. Céus… Que verdade! E são poucos os que possuem tal virtude. Afinal, eles são os verdadeiros “feiticeiros”.

Se pensarmos bem, essa é uma das grandes razões porque vale a pena viver!

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Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...