Discos: a bossa-nova e a tropicália!

A bossa-nova é nossa! A tropicália também!

Eu já li muita coisa sobre a música brasileira. Algumas coisas boas e outras nem tanto. É que, no fundo, não é fácil escrever, minha gente. Além de termos que nos agarrar a uma boa ideia, tem o diabo do português que é um bocado difícil. São regras e mais regras, onde isso não permite aquilo e por aí afora. E existe, ainda por cima, o erro, a impropriedade e até mesmo o mau uso… E aí, minha gente, como nos safamos dessa impiedosa régua?!

Também há outro aspecto que pode estar presente numa escrita: o fato de um texto estar corretamente escrito, porém “insosso”. Aliás, cá entre nós, isto é mais comum do que imaginamos. Todos nós já nos deparamos com centenas de textos bem escritos, mas pecavam pela tal da “sem gracice”. Não que a gente tenha a obrigação de apresentar uma escrita bem-humorada. Contudo, devemos reconhecer que um texto leve e solto comunica mais facilmente e estabelece a devida empatia.

Mas… voltando ao tema da música brasileira, o que eu percebo é que a conhecida MPB tem recebido bastante espaço na literatura musical, o que me parece justo. No entanto, eu acredito que o “movimento tropicalista” foi pouco explorado. E olha que foi um movimento riquíssimo, seja no aspecto musical, seja no “conceito” que trazia embutido.

A meu ver, a “tropicália” foi bem mais do que um movimento musical, meus amigos. Porquanto trazia nas entranhas uma forte carga de “contestação” aos valores atribuídos, principalmente contra a bossa-nova, que era o “alvo burguês” do movimento tropicalista. Rogério Duprat foi um dos mentores do movimento, alimentando com o seu talento e criatividade os novos arranjos que embalaram as canções de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes, Tom Zé, Gal Costa, Ney Matogrosso e outros tantos.

Certo mesmo é que já se passaram cinquenta anos daquele momento histórico da música brasileira e pouca coisa foi feita de lá para cá que possuísse tamanha qualidade.

O que sei dizer, isso sim, é que a bossa-nova foi um fabuloso gênero musical. E seria insano não lhe atribuir valor. Para minha sorte, eu fui amante e testemunha das belíssimas criações de Tom Jobim, Carlinhos Lira, João Gilberto e outros craques. Ah, bons tempos aqueles no “Beco das Garrafas”, na Copacabana ainda inocente…

No entanto, eu saúdo também o extraordinário movimento tropicalista. Afinal, se a bossa-nova se apoiava nas questões do amor, com sabedoria, sedução e delicadeza, a tropicália construía suas trincheiras nos protestos estudantis desse mundão de Meu Deus…

Pelo sim ou pelo não, meus amigos, o que vale mesmo é boa música. E ela sempre terá destaque, não importa a origem. E esse lugar de destaque, por certo, está demarcado pelo bom gosto de quem ouve. Viva a boa música! Vivam os talentos que nos proporcionaram esse deleite!!