Literatura: crônica “Histórias de Professores – Parte 1.

Maurício é um daqueles cearenses arretados, nascido lá em Itapipoca. É um sujeito maravilhoso, um típico “pau-de-arara” que a gente nem precisa perguntar onde nasceu, pois com aquele pescoço entalado, ah, meus amigos, só mesmo na terrinha… no meu Ceará!

Eu trabalhei com ele em algumas escolas e cursinhos e foi para mim uma das melhores lembranças que guardei do magistério. Primeiro porque o Maurício era “fera” em Matemática e dava uma aula de cair o queixo da moçada. Depois porque ninguém conseguia sair ileso do seu maravilhoso senso de humor. Fantástico!

Lembro até de um “causo” que aconteceu certa vez com o Maurício e que virou antologia no magistério carioca. Sim, segundo contam, Mauricio atravessava a cidade de um canto ao outro dentro dos tais “frescões” (aqueles ônibus executivos) e, vez por outra, dormia e acordava no ponto final… Paciência! Tinha que pegar outro frescão até chegar ao cursinho. E ali é que ocorreu o episódio, minha gente. A sala de aula estava lotada, com mais de 200 alunos. O tablado era alto e para subir, exigia esforço do professor. Mauricio já bastante cansado, no fim de noite, subiu e começou a apagar o imenso quadro-negro da aula anterior. Quando estava na metade do serviço, um aluno começou a chamar insistentemente pelo mestre: “professor… Ô, professor… Chega aqui!”

Maurício se virou, desceu do tablado e foi lentamente até onde o aluno estava. O estudante, por sua vez, puxou o Mauricio pelo braço e, ainda sentado, sacramentou no ouvido: “professor, não estou entendendo “porra nenhuma” da sua aula!!!”

A experiência de Maurício, no entanto, falou mais alto e ditou os próximos movimentos. Mantendo aquela calma cearense, que mais parecia um monge tibetano, Maurício nem se abalou. Subiu novamente no tablado, apagou calmamente o quadro-negro e, após isso, escreveu no quadro os assuntos que daria naquela aula dupla.

Aí, ele bateu uma mão na outra para tirar o excesso de giz e se dirigiu para o canto da sala. Nesse momento, olhou para o referido aluno e pediu para que ele se levantasse. O estudante, meio perplexo, não atendeu ao “convite”, preferindo permanecer sentado. Com isso, ele obrigou Maurício a se abaixar e, ao pé do ouvido, recebeu a aguardada resposta ao seu intempestivo depoimento. Foi apenas uma frase: “se vira, seu fio de uma égua!!”

Pois é… são coisas da vida de um professor. Fazer o quê?!

professor 1

(imagem da internet, meramente ilustrativa)