Memórias: “…acima de tudo, rubro-negro!”

Pois é, minha gente. Não foi dessa vez que o meu Mengão venceu…
Verdade mesmo é que a magia que envolve o “acontecimento”, no fundo, é o que há de mais importante. Chega a ser difícil descrever a emoção que se sente ao estar no Maracanã lotado, ouvindo o “grito de guerra” daquela nação rubro-negra. Algo para deixar “terapeuta” descadeirado, sem diagnóstico!
Já fazia vinte e dois anos que eu não pisava naquele estádio, meus amigos, e talvez nem volte mais aqui. Mas, graças a Deus, eu voltei. Sim! “Eu voltei / aqui é o meu lugar!”
Céus… pelo visto, é contagiante… Que coisa, heim?!

Viagem: “apesar de você / amanhã há de ser / outro dia!” – Chico Buarque.

Um aspecto que me chamou a atenção no Rio foi perceber que apesar das desastrosas administrações publicas, a população ainda mantém aquele extraordinário senso de humor. Céus, em todos os lugares por onde andei, sempre encontrei um sorriso anunciando o atendimento. Independente se era venda, serviço ou apenas uma mera informação. E isso sempre foi a marca dessa maravilhosa cidade!
Outra coisa interessante é ver que se tem um grande número de atividades e passeios sem custos. Fomos ao Forte de Copacabana, que é lindo, e passeamos por todo complexo. Até uma filial da Confeitaria Colombo tem ali, deslumbrando uma vista impactante.
Antes disso, fomos mais uma vez ao Museu do Amanhã e sentimos orgulho de termos um monumento à cultura e ao mundo futuro. Coisa linda!

Viagem: o Rio de Janeiro continua lindo!

De volta ao meu querido Rio de Janeiro, que me acolheu durante 42 anos. De volta o brilho nos olhos por poder sentir essa incrível emoção que é rever lugares, pessoas e memórias. Afinal, em cada lugar que andamos eu relembro histórias e causos…
Então, a minha primeira impressão é de que Gilberto Gil tinha razão: “o Rio de Janeiro continua lindo!”
Comecamos pelo centro da cidade, que surpreende pela limpeza, apesar dos “ambulantes” vendendo tudo e em todos os lugares…
Ah, a Biblioteca Nacional é, de fato, um lugar fora do mundo: lindo, mágico, suntuoso! E para quem ama as letras, não há lugar mais sedutor… bem, talvez, o Real Gabinete Português. Meu Deus, o que é aquilo, minha gente?! E tem também o Paço Imperial, que abriga a história da corte carioca.
E como ninguém é de ferro, terminamos o passeio na Confeitaria Colombo do centro, que nos devolve todo e qualquer “glamour” que a cidade extraviou.
Sim! Ia esquecendo: como estamos hospedados na Barra da Tijuca, onde foi a minha última moradia carioca, temos agora a vantagem de irmos a todos os cantos de Metrô e BRT. Uma maravilha! Por isso, resolvemos passar no Leblon e comer a deliciosa pizza da Pizzaria Guanabara…
Até amanhã, gente!

AVISO IMPORTANTE

EU  ESTAREI  DE  FÉRIAS  DO  DIA  15  ATÉ  O  DIA  22  DE  JULHO.

RETORNO  NO  DIA  23,  SEM  FALTA…

ABRAÇOS  A  TODOS! 

Cinema: quando a morte revela a vida!

Dizem que a “gratidão” é um dos sentimentos mais evoluídos que um ser humano pode apresentar. De fato, é bem possível que seja. E se isso for verdade, meus amigos, eu torço apenas para que os “espíritos hospedeiros” tenham esta compreensão quando chegar a minha hora… Por enquanto, creio, ainda há muito o que fazer por aqui. Muitos projetos de vida. Muitas descobertas e… muito o que aprender, isso sim!

No entanto, já que eu abordei o tema da morte, a verdade é que o povo ocidental tem muito que aprender com os orientais. Isto porque chega a ser tocante a compreensão que eles têm sobre a morte. Diferentemente de nós, ocidentais, eles aceitam a morte como mais uma das etapas da vida e não a última…

Foram vários os filme a que assisti sobre esse tema e todos eles foram impecáveis no trato da questão. Lembro bastante de dois extraordinários filmes, que me deixaram marcas permanentes: “O caminho para casa”, de Yimou Zhang e “A partida”, de Yojiro Takita. Como se pode observar, ambos foram construídos por orientais. E isso somente atesta a compreensão de que eles, os orientais, estão mais de mil anos à nossa frente. Nem mesmo posso evocar para a nossa defesa o divertido filme americano “Antes de partir”, de Rob Reiner, com os talentosos Jack Nicholson e Morgan Freeman. Porquanto até mesmo o tema da morte é tratado com ironia, o que demonstra a grande dificuldade dos ocidentais de lidarem com a perda e a dor…

Então, só nos resta torcer para que a vida nos ensine a encarar a morte com o mesmo respeito e dignidade dos orientais. Com sorte, nós poderemos guardar na memória onde estão os nossos caminhos, seja neste ou em outro plano. E se isso ocorrer ainda em vida, melhor ainda, pois assim levaremos o melhor dos legados!

Memórias: os caminhos de cada um!

Meus amigos, vocês não podem imaginar o prazer que tive em reencontrar as belíssimas canções de Raimundo Sodré…

Eta, cabra danado de bom! Desses cuja nordestinidade atravessa o mundo e vai até Paris encantar aquele povo do mesmo modo que nos encantou.

O que sei dizer é que eu sempre me identifiquei com Raimundo Sodré, seja pela visão de mundo que ele possui, seja pela vocação de homenagear os oprimidos com respeito e interesse.

Tudo isso me faz lembrar que nós dois, Raimundo e eu, nascemos com semelhantes destinos e que recebemos a mesma profecia de Carlos Drummond de Andrade. Do meu lado, eu sempre percebi que havia uma sentença a cumprir:

“Quando nasci, um anjo torto  /  Desses que vivem na sombra  /  Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida…”

E do lado de Raimundo, por certo, o destino não era menos carregado de dor e esperança:

“Mundo mundo vasto mundo /  Se eu me chamasse Raimundo  /  Seria uma rima, não seria uma solução  /  Mundo mundo vasto mundo  /  Mais vasto é meu coração”

O fato é, minha gente, que cada um de nós seguiu o seu rumo em busca das soluções para as questões que se impunham. E não foram poucas!

Raimundo, mais determinado que eu, conseguiu “romper com o mundo e queimar seus navios”, ainda que tenha pago alto preço por esta coerência. Mas, valeu a pena, isso sim. Quanto a mim, eu continuo “pelejando” atrás dos meus caminhos.

Portanto, obrigado por essa expiação, Raimundo. Abençoado seja!

 

 

Literatura: crônica “Os caminhos do amor!”

Muito já foi dito sobre o amor. Sei bem. Pode até ser que o tema não careça mais abordagem. Mas, convenhamos: há amores de todos os tipos, minha gente!

Não obstante toda forma de amor ser bela e comovente, no fundo, sempre haverá uma “especial”. Marcante. Inusitada. Isso porque a capacidade de o homem estabelecer diferentes afetos parece ser inesgotável. Ainda bem, pois assim, quando menos se espera, eis que surge outra maneira de “ver” e “viver” o amor. Quem sabe não resida aí a grande beleza dessa vida? Sim, na incrível diversidade do amor!

A bem da verdade, devemos reconhecer, o uso da palavra “amor” acabou sendo banalizado. Lamentavelmente. Porquanto a frequência com que a palavra é utilizada, muitas vezes torna o amor um aparente despropósito. Seja pela fugacidade com que ele, repentinamente, vem e se vai. Seja pela ausência de compromisso com o real sentimento presente, uma vez que seguidamente se confunde amor com “posse”. O que sei dizer, amigos, é que parece que estamos tratando o amor de forma indevida. Descuidada. Confusa, até.

É sabido que diversas gerações atravessaram fortes correntezas em busca da “cara-metade”. Por conta disso, desafios tiveram que ser vencidos com uma coragem ímpar. E o que se viu, por aí, é que a determinação sempre foi a mola propulsora dos amantes. Quem sabe seja ela a única aliada da paixão?!

Em nome do “amor”, impérios foram sacrificados, revoluções foram deflagradas e muitos mártires surgiram na história da humanidade. Algumas vezes, é verdade, estiveram escondidos em “ideologias” ou “utopias” sem fronteiras. Não importa. O certo é os exemplos estão aí: construídos com profunda garra e esparramados pelos caminhos do universo. São contundentes dramas que lutaram por um final feliz, nem sempre logrado. Quem não se lembra, por exemplo, do velho “Iona” do conto Kusmá Iônitch, de Tchecov? Depois de contar a sua tristeza pela morte do filho a várias pessoas, sem resultado, passou a falar com a sua velha égua, única companheira de todas as horas: “Assim é, meu irmão, minha eguinha… Não existe mais Kusmá Iônitch. Foi-se para o outro mundo… Morreu assim, por nada… Dá pena, não é verdade?”

Ou no intenso e absurdo monólogo do Coronel com o seu galo, na novela de Gabriel Garcia Márquez (Ninguém escreve ao Coronel). Ao se ver acuado pela fome e pela falta de perspectiva, o Coronel encontra no galo a força necessária para permanecer lutando: “A vida é dura, camarada!”, sentenciou o exaurido homem ao galo.

Certamente, eu ainda poderia citar dezenas de outros comoventes exemplos de amor. Só serviriam para atestar a grandeza desse sentimento que, por vezes, é cego. Outras tantas, surdo. E até mudo já foi. Bem mais do que isso, o amor já foi herói e foi bandido. Foi perseguido e celebrado. Ultrajado e invejado. Ah, o amor… Essa fantástica “caixinha de surpresas” que arrebata espíritos desavisados. Bendito, seja!

É interessante perceber que o mito do amor tem sido mais forte do que a imaginação humana. E até mesmo Bernard Shaw, um mago na criação, preferiu homenageá-lo às avessas. Em seu antológico romance, Pigmalião, ele recria livremente o mito – o lendário rei de Chipre que se apaixona por uma estátua de marfim que ele próprio esculpira e que a Deusa do Amor acaba por dar vida. Pigmalião Higgins, no fundo, idealiza a própria mãe em vez de Eliza Doolittle. Esta, por sua vez, vê-se aprisionada diante da escolha: casar-se com o atraente Higgins para quem passaria a vida toda a procurar os chinelos ou com o repugnante Freddy que, bem ao contrário, a vida toda estaria a lhe procurar os chinelos? A escolha foi dura e muitas complicações se seguiram…

Vimos, também, quando o velho Santiago, o pescador solitário de Hemingway (O velho e o mar) – que durante 84 dias não apanhara um só peixe – novamente põe-se no mar. O que o velho carregava no peito, minha gente, era mais do que coragem. Dentro dele e daquela solitária canoa, tinha amor. Muito amor! Sim, somente um homem com seus sonhos e suas tristezas profundas pode amar com tanta ternura um peixe. E, por conta desse amor, ele empreende bem mais do que uma luta de sobrevivência. Ao travar a longa batalha, o pescador jamais perdeu o respeito ao peixe. “Vou pôr os dois remos cruzados na proa e o peixe terá que abrandar a velocidade durante a noite”, disse o velho. “Ele deve querer descansar e eu também!”

Tudo isso me faz crer que o verdadeiro amor é assim mesmo: respeitoso, ainda que sem cerimônias e indulgente, mas sem se culpar. Por certo, em nome da preservação, o amor é até capaz de ferir. No entanto, o perigo que sempre rondou as nossas casas está nos excessos. É que, por vezes, a “paixão” é traiçoeira e manhosa. E não poupa ninguém! Basta olhar para os lados e veremos: quando estamos “distraídos” e somos tomados pelo “inadvertido” sentimento, tudo pode ocorrer. E a dor, inescrupulosa parceira da paixão, acaba mostrando as garras e, de alguma maneira, fazendo vítimas. É… São os “pedágios” da vida e nada pode ser feito. Tampouco se adquire imunidades quanto a isso.

Não, meus amigos, não estou aqui a repudiar a paixão! Muito ao contrário: dela, sempre fui cúmplice e dependente. Raptado por ela? Inúmeras vezes. Arrependido? Jamais! Disposto a mais uma? Sempre!

O que posso afirmar, sem medo, é que a grande sabedoria dessa vida talvez consista em aprender a lidar com a paixão. Permitindo que ela nos subverta, sim, mas, atento aos caminhos que trilhamos. Com isso, podemos desenvolver a capacidade necessária para “cicatrizar” antigas feridas. E, com sorte, experimentamos no percurso os mais belos dias de nossas vidas…

 

Muito além da paixão

Foto: João Pedro, o meu mais novo amor!