Memórias: “Longe desse insensato mundo!”

Que ele era um homem diferenciado, disso ninguém duvidava. E nem mesmo os filhos conheciam suas andanças, suas paixões e seus amores extraviados. Porquanto era uma criatura bastante reservada. Lá, isso sim!

O que eu posso dizer, meus amigos, é que reencontrá-lo na pacata e distante Barbacena foi algo emocionante. Somente após aquela tarde, ouvindo suas histórias, é que eu pude perceber o quanto a vida muitas vezes é injusta…

Ali ao meu lado, de fato, estava a mais incrível criatura que eu já conhecera nesta vida. Um homem brilhante. Ético. Culto e generoso. No entanto, devo reconhecer, nem mesmo tais atributos tornam um homem feliz e realizado. E Luiz sabia disso. Tanto é verdade que ele não se surpreendeu quando Glória, sua companheira, mais uma vez reclamou com veemência sobre a desarrumação da sala de estar…

Sem nada dizer, Luiz foi no quarto, organizou as duas malas e, ao passar pela cozinha, anunciou: “eu estou indo embora. Vou para Jackson!”

– E por diabos, onde fica isso?, perguntou Glória.

– Tennessee!

– Tá… pode ir. Mas, ao menos, penteia o seu cabelo!

Bem, meus amigos, já se passaram vinte anos. Confesso que eu gostaria de ter notícias do amigo Luiz. Saber se a vida foi generosa com ele, essas coisas que o destino apronta…

cerveja2

Memórias: “…acima de tudo, rubro-negro!”

Pois é, minha gente. Não foi dessa vez que o meu Mengão venceu…
Verdade mesmo é que a magia que envolve o “acontecimento”, no fundo, é o que há de mais importante. Chega a ser difícil descrever a emoção que se sente ao estar no Maracanã lotado, ouvindo o “grito de guerra” daquela nação rubro-negra. Algo para deixar “terapeuta” descadeirado, sem diagnóstico!
Já fazia vinte e dois anos que eu não pisava naquele estádio, meus amigos, e talvez nem volte mais aqui. Mas, graças a Deus, eu voltei. Sim! “Eu voltei / aqui é o meu lugar!”
Céus… pelo visto, é contagiante… Que coisa, heim?!