Memórias: “Achados & Perdidos”

Ontem eu fui almoçar em um restaurante com o meu filho. Lá pelas tantas, comecei a desenvolver um argumento, empunhando-o como se fosse uma bandeira: dizia para o Gabriel que não é somente o planeta que está se exaurindo. É a humanidade, isso sim!

Contudo, sem dar muita importância à minha fala, talvez por conta dos quinze anos de idade, percebi que tudo o que eu dizia era enfadonho para ele. Ainda assim, meus amigos, eu resolvi insistir no tema. Afinal, a nossa “conversa” tem que prosseguir, não é verdade?!

Então, comecei argumentando que ao se observar a história da humanidade, pode-se perceber que o homem tem sido capaz de construir um sem número de coisas a partir de suas invenções. Todavia, também é verdade que ele tem “extraviado” pelo caminho significativos “patrimônios” que já havia acumulado. E eu não me refiro aqui aos patrimônios materiais. Não, amigos! Desafortunadamente, as maiores “perdas” têm sido os valores éticos, morais e o respeito pelos bens imateriais.

Não, não! Por favor, rogo a todos que não reduzam essas ideias apenas aos aspectos “saudosistas”. Até porque não sou dessas criaturas que costumeiramente iniciam suas frases com o famigerado “olha, no meu tempo…”. Na verdade, a minha preocupação reside, muito mais, nas possíveis “atrofias” que já vislumbramos na formação do caráter e da estrutura emocional desses jovens. Sim! Porquanto eu já me sinto assustado com o comportamento deles, indiferentes a toda e qualquer forma de tradição, legado ou valores constituídos. Coisa triste!

Eu também já fui jovem, creiam-me. Por conseguinte, já empunhei as “bandeiras da contestação” e participei de incontáveis protestos contra toda sorte de causas e movimentos. Até aí, estamos empatados. No entanto, minha gente, ainda que eu abraçasse febrilmente uma dada causa, por certo, havia um componente que nos diferenciava dos atuais movimentos contestatórios: não desprezávamos os valores adquiridos. Até porque, convenhamos, precisávamos deles para dar consistência e solidez aos nossos argumentos.

Pois é. Oxalá eles cresçam e possam retomar àquilo que deixaram de lado durante o percurso. Se isso acontecer a tempo, menos mal. Ainda poderemos dar boas risadas devido aos “tombos e atropelos” cometidos. E na dúvida, eu sugiro que procurem o setor de achados e perdidos. Lá poderão encontrar algumas utilidades. Com sorte, quem sabe, poderão até mesmo resgatar antigos “afetos”…

achado e perdidos

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...