Memórias: Bocaina, a “Macondo” dos nossos sonhos!

Dizem por aí que o melhor aliado do homem é a “memória”, porquanto é o único patrimônio verdadeiramente intransferível. Tudo o mais é efêmero e não redime o coração de quem quer que seja. Sim! Eis aí uma verdade que concordo. Plenamente!

Muitas vezes, meus amigos, a gente observa que o destino de uma criatura sofre bruscas mudanças e subverte os caminhos do coração. Ainda que seja injusto, convenhamos, são incontáveis os casos em que a “roda da vida” manipulou os acontecimentos. Seja atropelando sentimentos, seja cerceando talentos ou mesmo modificando o rumo de algumas histórias. Pois é. Há de tudo nessa vida…

Sabemos também que o ser humano é detentor de fortes contradições e que a sua busca por uma vida melhor nem sempre logrou êxito. Mário Quintana, o nosso encantado poeta, declarou um dia: “Ah! se exigirem documentos aí do “Outro Lado”, extintas as outras memórias, só poderei mostrar-lhes as folhas soltas de um álbum de imagens: aqui uma pedra lisa, ali um cavalo parado ou uma nuvem perdida, perdida… Meu Deus, que modo estranho de contar uma vida!”

Por sinal, foi por conta de umas fotos antigas que tudo isso me veio à cabeça. Eu explico. É que ao olhar as fotografias da Bocaina, uma linda serra nas Minas Gerais, que abrigava a colônia de férias da Tia Alba. Para muitos, Bocaina foi a nossa pequena “Macondo”. Ainda que ela não tenha adquirido a dimensão da Macondo de Gabriel Garcia Marquez, porém, estejam certos, ela foi o grande laboratório que revelou o imaginário de muitos que ali estiveram. Lá, isso sim! E como estou atravessando uma fase de “inventariar” as muitas passagens que já tive, não poderia deixar este registro passar em brancas nuvens. Afinal de contas, cada um tem lá a sua “Macondo”. E o mais importante de tudo, minha gente, é fazer bom uso dessas memórias e, assim, renovar os laços afetivos junto ao nosso imaginário!

Bocaina 1

 

Bocaina 2

Fotos: Fazenda da Bocaina, nos anos 60.