Literatura: crônica “Envelhecer”.

Sei que é difícil admitir. Por isso, tenho sofrido silenciosamente. Sem dividir a preocupação com quem quer seja. No entanto, chega uma hora que a coisa arrebenta. Daí em diante, não tem mais volta, minha gente. Mas calma aí que eu explico tudo.
É que eu fui professor por mais de três décadas e não me recordo de ter passado por tamanho “constrangimento”, mesmo em situações complicadas ou adversas que sempre acontecem aos professores. Feito aquela que vivi em 1986, no Colégio São Pedro, no Rio de Janeiro. Eu estava dando minha aula na maior tranquilidade, quando um estudante soltou um enorme grito no meio da sala: “independência ou morte!”. Vocês podem imaginar o susto que levei. Imediatamente, virei para a turma e perguntei ao grupo: quem foi que deu esse grito? Aí, o sem-vergonha do aluno respondeu sorrindo: “professor, francamente! Não acredito que o senhor não saiba que foi D. Pedro I…”

Bem… paciência… Melhor deixar pra lá!

Mas o que eu queria dizer, meus amigos, é que o processo de envelhecimento é duro e aviltante. Impiedoso, até. Por mais que a pessoa tenha “fair play” e muita sabedoria emocional para aceitar o envelhecimento, convenhamos, tem vezes que a coisa bate fundo. Talvez seja o meu caso… Aliás, se pensarmos bem, é fácil observar os primeiros sinais da velhice. Começam pela dificuldade de enxergar aquela placa de rua que outrora parecia ter letras bem maiores. E insistem em nos mostrar a flagrante falta de fôlego ao brincar com o neto que exige de nós a rapidez não mais presente. Tudo isso sem falar, é claro, daquelas famosas dores que proliferam aqui e acolá em nossas articulações… Céus, o que que é isso, Meu Deus?!

Sendo assim, meus amigos, eu peço a vocês um pouco mais de paciência comigo. Afinal, conforme é sabido, trata-se de um ciclo inevitável e não há nada que possa impedir o processo. Para amenizar a “lenta descida”, dizem os sábios, o melhor jeito é desenvolver o bom humor. Sim! De modo suficiente para lidar com o percurso, não é verdade? Então, “Eureka”! Que assim seja!

(Fotos: eu e Gabriel, duas vezes. Na terceira, eu, Gabriel e João Pedro, meu adotado neto)

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