Disco: “Billie’s blues”, com Billie Holiday.

Há quem assegure que o talento extraordinário de um artista anda sempre de braços dados com a loucura ou, no mínimo, com a excentricidade. Dizem até que a capacidade produtiva de o artista está intimamente ligada à dor e ao sofrimento…

Sei não. No fundo, eu sempre desconfio dessas posturas ou teses totalitárias. Até porque, convenhamos, na maioria das vezes elas se mostram reducionistas. Sim, minha gente! Afinal, não se pode julgar a dor alheia, seja ela é certa ou errada, se é justa ou injusta… Nada disso importa, pelo simples fato de não sermos o “outro”. Aliás, foi Blaise Pascal, famoso físico, matemático e filósofo que afirmou que: “O coração tem razões que a própria razão desconhece!” Com isso, não me cabe fazer juízo de valor sobre a vida de quem quer que seja, muito menos ainda de virtuoses, cuja expressão artística deveria ser livre de qualquer cobrança. E quando afirmo isso, meus amigos, não estou compactuando ou endossando as escolhas que eles fizeram. Pelo contrário, lamento profundamente que boa parte da vida artística deles tenha se esvaído por conta dessas escolhas… Porém, esse foi um caminho que “eles” elegeram, independente de todo e qualquer repúdio que eu possa externar.

Billie Holiday foi outra incrível criatura que sofreu duramente com os problemas das drogas e experimentou um declínio agonizante. De algum modo, todos nós perdemos muito do seu talento, pois ela nos deixou precocemente, em 1959, com apenas 45 anos de vida. Contudo, devo reconhecer que ao observar o seu passado e a sua trajetória de vida, eu consigo compreender uma alma conflitada como a dela. De fato, ela possuía muitas razões para se sentir desestruturada e encontrou pela frente um destino que foi “padrasto”, deixando marcas da infância aviltada…

https://www.youtube.com/watch?v=gaQf_oVz80k

billieh

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...