Memórias: relembrando as andanças em Maceió – Parte 3 / 3.

Dia 14 de Junho

O dia de hoje foi dedicado ao litoral norte de Maceió. Fomos conhecer a região de Paripueira, que é tão linda como a Praia do Gunga. Como diferencial, Paripueira possui as falésias e um imenso canavial acompanhando o nosso roteiro.

Aliás, ficamos perplexos com os valores pagos aos trabalhadores: R$ 6,25 por tonelada de cana-de-açúcar retirada…  Céus, isso é quase um trabalho escravo, pois os maiores índices giram em torno de 10 toneladas por dia de extração. E isso parece ser algo desumano!

Alagoas e Pernambuco produzem quase toda cana-de-açúcar do nordeste e nem assim o valor do litro de álcool é baixo…

Amanhã faremos o último passeio da semana de férias: uma visita ao Velho Chico!

Dia 15 de Junho

Ufa… após sete dias de passeios, guardamos a visita ao “Velho Chico” como fecho de ouro.
De fato, eu pude confirmar o que as minhas emoções apontavam: a “magia” que circunda cada passo, cada olhar e cada mergulho no abençoado rio. Lembrei-me intensamente da canção de Caetano Veloso, magistralmente interpretada por Geraldo Azevedo, intitulada “O ciúme”.

“…Juazeiro, nem te lembras dessa tarde / Petrolina, nem chegaste a perceber / Mas na voz que canta tudo ainda arde / Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê…”

Ah, meus amigos, o que eu posso dizer é que, após esse dia, eu não sou mais o mesmo Carlos Holbein de então… Alguma coisa se rompeu, ao mesmo tempo em que novos laços se formaram.

Não me peçam para explicar, pois não saberia!

O que sei é que ao ver aquele rio, ao conhecer a sua gente, ao sentir as suas águas banhando o meu corpo, eu me senti tão acolhido como o filho nordestino que “retorna” ao seu lugar.

Sei também que mesmo após tantos anos de terapia em busca do “meu lugar nesse mundo”, precisei mais uma vez reler Fernando Pessoa:

“Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia!”

Ah, meu poeta, só agora eu pude compreender a sua dor. Perdoe-me pela demora, mas tive que aguardar 66 anos e um bocado de coisas vividas para, enfim, descobrir que eu também posso ter um rio: o meu Velho Chico!

“Tanta gente canta, tanta gente cala / Tantas almas esticadas no curtume / Sobre toda estrada, sobre toda sala / Paira, monstruosa, a sombra do ciúme!”

MC16

 

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...