Memórias: Velho Chico, o rio da minha aldeia!

Ufa… após sete dias de passeios, guardamos a visita ao “Velho Chico” como fecho de ouro.
E, de fato, pude confirmar o que as minhas emoções apontavam: a magia que circunda cada passo, cada olhar e cada mergulho no abençoado rio. Lembrei-me intensamente da canção de Caetano Veloso, magistralmente interpretada por Geraldo Azevedo, intitulada “O ciúme”.
“…Juazeiro, nem te lembras dessa tarde / Petrolina, nem chegaste a perceber / Mas na voz que canta tudo ainda arde / Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê…”
Ah, meus amigos, o que eu posso dizer é que, após esse dia, eu não sou mais o mesmo Carlos Holbein de então… Alguma coisa se rompeu, ao mesmo tempo em que novos laços se formaram.
Não me peçam para explicar, pois não saberia!
O que sei é que ao ver aquele rio, ao conhecer a sua gente, ao sentir as suas águas banhando o meu corpo, eu me senti tão acolhido como o filho nordestino que retorna ao seu lugar.
Sei também que mesmo após tantos anos de terapia em busca do “meu lugar nesse mundo”, precisei mais uma vez reler Fernando Pessoa:
“Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia /
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia!”
Ah, meu poeta, só agora eu pude compreender a sua dor. Perdoe-me pela demora mas tive que aguardar 66 anos e um bocado de coisas vividas para, enfim, descobrir que eu também posso ter o meu rio: o meu Velho Chico!
“Tanta gente canta, tanta gente cala / Tantas almas esticadas no curtume / Sobre toda estrada, sobre toda sala / Paira, monstruosa, a sombra do ciúme!”

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Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...