Literatura: a impecável obra de Dias Gomes!

O tempo, como se sabe, é um impiedoso esmeril da memória. E muitas vezes, reconheço, nós afiamos involuntariamente o fio da navalha…

Eu ontem me lembrei de Alfredo de Freitas Dias Gomes, mais conhecido pelo sobrenome Dias Gomes. Sem dúvida, meus amigos, ele foi um extraordinário dramaturgo, romancista, autor de telenovelas e membro da Academia Brasileira de Letras. Para fazer justiça, sorte a nossa que as suas obras também ficaram imortais. Aliás, quem não se lembra de “O Pagador de Promessas”, que foi adaptado para o cinema e tornou-se o primeiro grande filme nacional premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes? Ou do subversivo “Roque Santeiro”, que precisou morrer para se tornar herói e mártir na extraordinário ficção de Dias Gomes? Melhor ainda quando ele escancara o lado sarcástico (e trágico) da política com o seu bem-humorado (e mau-caráter) Odorico Paraguaçú, na imaginária Sucupira, de “O Bem Amado”? Tudo aquilo terá sido realmente ficção, meus amigos?!

Ah, meu caro Dias Gomes… quanto falta você nos faz!

Pois saiba, então, que os seus personagens, quase todos, parecem ter “reencarnado”. Afinal, não é somente Odorico que perambula pelos quatro cantos do país. Encontramos também o “Rei de Ramos”, transvestido de miliciano em todas as áreas densamente povoadas. Do mesmo, não ficamos livres das “inquisições”, tão bem apontadas no seu “Santo Inquérito”, isto porque a sua maculada “Branca” já retornou como Irmã Dorothy, lá no distante Pará e teve um destino semelhante…

Por tudo isso, então, eu torço para que tenhamos dias mais amenos. Que o universo conspire favoravelmente e nos possibilite “apreciar” a arte de nossos irmãos brasileiros. Quem sabe assim possamos evoluir o suficiente para prestarmos as justas e devidas homenagens aos talentosos brasileiros que souberam educar e alegrar as nossas almas?!

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...