Disco: “To Brazil with love”, com Diana Panton

Já notaram que de quando em quando aparece uma daquelas novidades musicais que nos fazem parar e ouvir com profunda atenção. Pois é, foi o que me ocorreu. No ano passado, no final de novembro, eu fui brindado com a “descoberta” do talento de Antônio Zambujo, interpretando as canções de Chico Buarque. Meu Deus do Céu… Coisa linda!

Mas não é que eu tirei mais um bilhete premiado esta semana, ao me deparar com a voz suave e acolhedora de Diana Panton?! Só vendo, meus amigos! Ela canta feito um passarinho. E o melhor de tudo é que ela veio mostrar, com todo respeito e reverência, que os “gringos” aprenderam a cantar a nossa bossa-nova. Lembrei-me até do amigo Paulo Assis Brasil, que era o meu parceiro das noitadas, quando frequentávamos o “Beco das Garrafas”. Isso, lá pelos anos 60, em Copacabana… Tudo bem, sei que faz um bom tempinho! Muito embora nós fôssemos muito jovens, por certo, sabíamos apreciar uma boa música. Principalmente o Paulinho, que já era músico de qualidade… e tinha no DNA toda sorte de influência musical, transmitidos pelos irmãos Victor e João Carlos.

O certo é que na primeira audição do CD “To Brazil with love”, eu fiquei paralisado. Era como se eu ouvisse a irmã mais nova de Astrud Gilberto… No entanto, após pesquisar no “YouTube” sobre ela, conheci outros álbuns e vi que Diana tem voz própria. Tem autoria nas interpretações. E já que dei a pista, digo mais: na pesquisa, eu acabei descobrindo outra “pérola” de Diana, ao cantar de forma intimista a famosa “Fly me to the moon”. O que é aquilo, minha gente?! Demais!

Ao ouvir o CD, acabei viajando nas recordações e me lembrei do tempo em que morei no Leblon. Em frente ao meu prédio ficava a boate “People”, que marcou época e uma quadra antes, havia o mais renomado bar e restaurante do Leblon, o famoso “Antonio’s”. Lá, frequentavam a burguesia e os intelectuais. Pé-rapado, feito eu, só ficava na esquina admirando Tom Jobim, João Saldanha, Vinícius de Moraes, Paulo Mendes Campos e tantos outros da boêmia, bebendo uísque do bom…

Carlinhos de Oliveira era um jornalista e escritor que tinha cadeira cativa no bar. Certa vez ele escreveu uma crônica contando um assalto que ocorrera no Antônio’s. Segundo o relato dele, havia um monte de gente graúda na varanda do restaurante, quando quatro rapazes entraram e anunciaram o assalto. Imediatamente, os assaltantes ordenaram que todos fossem para a cozinha, enquanto esvaziavam o caixa e os pertences dos que ali estavam. Até que, num dado momento, ouviu-se a voz de alguém clamando: “seu ladrão… oh, seu ladrão, por favor, chega aqui um instantinho!”. Ao ouvir aquilo, um dos assaltantes perguntou: “o que é que você quer, meu chapa?!” E a voz, então, completou: “já que a gente vai tomar um prejuízo, poxa, quebra nosso galho. Ao lado do caixa, tem um prego fincado na madeira e nele um monte de pequenos papéis… Suma com eles, por favor. Não custa nada e vai nos “aliviar” um monte de “pendura” de despesas…”
O que se sabe, dizem as más línguas, é que durante um bom tempo o dono do restaurante ficou sem saber quais eram os “amigos do fiado”. Pois, agora…

https://www.youtube.com/watch?v=54rFX6BwITE

https://www.youtube.com/watch?v=xBSuxSQQkFE

diana_panton