Literatura: os nossos brasileiros – Ariano, Millôr, Sérgio Porto e o Barão de Itararé – talento e humor!

Esta semana eu estou prestando uma homenagem a Ariano Suassuna, que foi um baita escritor nordestino e que nos deixou um legado de extraordinário valor. Não somente para a literatura, é verdade, já que produziu poucas obras. Porém, foram obras memoráveis! No entanto, Ariano era também reconhecido pelo impecável senso de brasilidade e nacionalismo.

Aliás, nesses tempos bicudos de incontáveis crises de valores, eu lembro que foram muitos os brasileiros que souberam olhar o país com as lentes do amor à terra, ao povo e à nossa rica cultura. Senão, vejamos.

Quem não se lembra do nosso último brasileiro “nobre”, Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, que nos jornais onde trabalhou assinava colunas com o nome de “Barão de Itararé”! Ah, meus amigos, que incrível criatura foi o Barão. Dono de um incrível senso de humor, inteligente e mordaz, Apparício era a “cara da oposição” ao sistema vigente, fosse ele qual fosse… O que importava era “futucar as contradições”, “denunciar a mediocridade reinante” e fazer escárnio de si e de todos os “mortais”.

Lembro também de Sérgio Marcos Rangel Porto, mais conhecido como “Stanislaw Ponte Preta”. Criador de Tia Zulmira, Rosamundo e Primo Altamirando, foi com seu Festival de Besteira que Assola o País – FEBEAPÁ, lançado em plena vigência do golpe militar de 1964, que ele alcançou seu grande sucesso. E deixou a marca do seu talento perpetuado para o deleite de todos.

Vale a pena fustigar um pouco mais a memória e relembrar o saudoso Millôr Fernandes, um dos fundadores do jornal “O Pasquim”, um verdadeiro ícone do jornalismo de combate e criador de centenas de pensamentos e frases marcantes. “O pior do alpinismo é a volta!”, dizia Millôr Fernandes, com toda razão…

“Mas o que essa maravilhosa turma tem a ver com Ariano Suassuna, Carlos”, perguntarão alguns. E eu respondo: a brasilidade, minha gente. Sim! Eles foram criaturas que souberam usar a inteligência, o talento e o humor sem perder de vista o imenso amor ao nosso país e à nossa terra.

Talvez por isso, Ariano tenha declarado: “Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa!”

Publicado por

Carlos Holbein

Professor de química por formação ou "sina" e escritor por "vocação" ou insistência...